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Os empresários também são portugueses

Em Portugal, como em Espanha e na maioria dos países europeus, as preocupações não tiram férias de Verão. Este ano parece perdido. E ninguém sabe se o próximo, já tão desejado, será melhor. Sim, os economistas são em regra pessimistas. Mas todos os sinais a que se têm agarrado para decretar o fim da crise caem por terra.

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Em Portugal, como em Espanha e na maioria dos países europeus, as preocupações não tiram férias de Verão. Este ano parece perdido. E ninguém sabe se o próximo, já tão desejado, será melhor.

Sim, os economistas são em regra pessimistas. Mas todos os sinais a que se têm agarrado para decretar o fim da crise caem por terra. Por aqui, as más notícias dos indicadores sucedem-se. Portugueses com níveis de pessimismo recorde. Poucos estão a ir de férias - o que pode ser bastante ajuizado face ao nível de endividamento dramático das famílias, que se adivinha nos grandes números.

Os negócios do turismo algarvio, dos hotéis aos restaurantes, perspectivam um mau ano. Os portugueses não foram de férias para o exterior mas também não optaram pelo Algarve. Espanha, a braços com uma gravíssima crise, também não vive tempos para oferecer turistas. E os ingleses, os principais clientes algarvios, enfrentam a economia já em recessão e um euro valorizado. Não será também o turismo que vai aliviar a violenta pressão nos bolsos dos portugueses.

Teremos de esperar pelo fim da crise internacional para melhorar... um bocadinho. A queda dos preços do petróleo, uma tendência iniciada a 11 de Julho, foi agarrada como a única bóia para melhorar a conjuntura internacional. Mas a queda interrompeu-se na sexta-feira. Bastou que se reacendesse o receio de um conflito entre Israel e o Irão, o segundo maior produtor de petróleo, para que o desânimo regressasse exposto na queda das bolsas europeias.

A pergunta de um milhão de euros que todos gostariam de responder - Quando acaba a crise? - parecia ser mais fácil. Mas regressa-se ao "ninguém sabe". Além da queda do preços do petróleo, esperava-se que as contas das empresas, com relevo para o sector financeiro, dessem sinais mais animadores.

Mas a queda de lucros ou o apuramento de prejuízos continua. Por aqui e nos Estados Unidos, um ano depois das aventuras financeiras norte-americanas terem lançado o mundo ocidental numa das mais graves crises de que há memória desde 1929. Pode ser, quem sabe, que as próximas contas da banca sejam finalmente mais saudáveis e animadoras. Saberemos algures em Outubro. Para os portugueses, a reanimação internacional é apenas uma parte mínima do que podem ser boas notícias.

Esse regresso à prosperidade no mundo ocidental não vai trazer ao país o milagre do enriquecimento rápido. Quando as águas do mundo estiverem mais calmas, o pequeno barco português continuará a enfrentar os mesmos problemas de falta de velocidade. Os rombos no barco chamam-se produtividade deficiente.

A responsabilidade por essa falta de produtividade é distribuída por trabalhadores, empresas e Estado. Este último porque não cuidou da educação - estará a cuidar melhor agora? Temos dúvidas. Está a tentar massificar e melhorar resultados. Aos empresários cabe uma quota parte elevada de responsabilidade porque deles, mais do que do Estado, poderia chegar uma acção rápida de melhoria da produtividade. Conhecem os seus trabalhadores e o negócio, sabem melhor que ninguém que formação lhes poderiam dar para aumentar a produtividade. Infelizmente não fazem nada disso. E porque não? Os empresários também são portugueses. O problema da educação também os afectou.
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