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Ricos muito mais... ricos

Com excepção da Irlanda e Espanha, entre 1995 e 2005 um conjunto de 18 países da OCDE registou um agravamento na desigualdade. A Hungria batia o recorde com uma diferença multiplicada por quase seis. Portugal não tinha dados. Conheceram-se ontem. Batemos

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Actualmente uma família “rica” tem um rendimento que é quase nove vezes superior à de uma pobre. Há uma década esse rácio era 4,6.

Os chocantes dados da desigualdade em Portugal são mais uma imagem do país dual em que vivemos, dos graves problemas que nos estão a criar um passado em que se apostou mais no betão do que na educação. Há um grupo de eleitos preparados para as exigências de qualificação do mundo global da comunicação que se foi distanciando significativamente do resto do País e contra o qual ninguém pode fazer nada.

Um dos argumentos que vamos ouvindo é que os gestores têm de ser bem pagos porque se não vão trabalhar para o estrangeiro. Será assim com alguns, muito poucos. A maioria não tem lugar em mais sítio nenhum. Basta conhecer os inquéritos que se fazem aos gestores estrangeiros em Portugal para conhecer de que massa são feitos alguns dos gestores portugueses. Mas o problema dos gestores, trabalhadores por conta de outrem, é talvez o mal menor.

Quando o Presidente da República alertou para os elevados salários de alguns gestores estaria talvez a pensar apenas nas grandes empresas. O problema é que esta desigualdade não é apenas resultado das práticas salariais das grandes companhias. Aquilo que parecia ser um fenómeno de empresários do têxtil – lembram-se quando no Norte existia uma concentração de Ferraris que só comparava com Itália? – generalizou-se pelo País.

Há economistas que defendem que o agravamento da desigualdade é um fase essencial para a acumulação de capital indutora de maior crescimento económico. Não querendo ser pessimista, não sei se este será o caso. O investimento em negócios continua muito limitado em Portugal. O que tivemos nesta última década foi, como durante séculos, construção e comércio feito agora de hipermercados e centros comerciais. As empresas estão endividadas e muitas têm sido vendidas ao exterior.

O que estamos a ganhar com este chocante agravamento da desigualdade? Uma imagem de subdesenvolvimento, que não se perde enquanto a educação, feita também de valores, não contagiar o País. Vai levar tempo.

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