Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

A nova concorrência

Entre todos os temas da gestão de empresas aquele que é simultaneamente mais estimulante e assustador é o da concorrência.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

É da concorrência que surgem as mudanças mais bruscas e inesperadas, particularmente dos novos concorrentes. Em muitas situações práticas são os concorrentes que constituem as maiores ameaças à sobrevivência das empresas ou pelo menos à manutenção dos seus patamares de performance actuais (nos casos em que essa performance é boa).

O século XXI tem trazido mudanças substanciais no ambiente concorrencial das empresas à escala global. Quase não há organizações que se possam sentir imunes a este novo ambiente, por maior que seja a protecção que lhes seja concedida nos mercados em que têm tratamento preferencial por parte das autoridades.

A disponibilidade de tecnologia e o acesso a informação propicia a quase todas as organizações empresariais, mesmo quando são pequenas em número de colaboradores, o acesso às melhores práticas mundiais ou aos melhores preços em quase todos os sectores de actividade.

A primeira década do século XXI é marcada por uma abundância de fornecedores, trabalho e capital como não há memória na história económica do mundo. A Internet e os mercados de capital globalizados são alguns dos aspectos mais visíveis desta nova realidade.

As consequências são sentidas quer a nível dos estados, que têm dificuldade em compreender e lidar com este mundo novo, quer a nível das empresas de qualquer dimensão que sentem o aparecimento de novos concorrentes dos quadrantes mais inesperados. Em quase todos os sectores de actividade há exemplos de novos concorrentes oriundos de espaços geográficos inesperados (quem diria que seria da Áustria que surgiria uma ameaça ao monopólio do jogo) ou novas formas de concorrência. As últimas décadas têm sido férteis em inovações estratégicas surgindo novos modelos de negócio em sectores como a banca, o retalho, a distribuição grossista, o transporte aéreo, apenas para dar alguns dos exemplos mais visíveis.

Os instrumentos teóricos para lidar com estes novos actores não são novos, mas as empresas mais antigas sentem que as suas receitas antigas falham em muitas instâncias. A teoria de jogos e a teoria de decisão comportamental são os instrumentos teóricos preferidos pelos académicos destas áreas, mas as empresas têm dificuldade em implementar soluções que não resultem de rotinas onde as experiências passadas tenham demonstrado na prática ter sido bem sucedidas. Porém, a inovação estratégica é exactamente o oposto disso. É desenhar uma solução que nunca tenha sido experimentada com sucesso na prática. Quase todas as boas ideias parecem disparatadas à nascença.

Numa altura em que a economia europeia parece estar a largar a anemia que a marcou em quase todo o século XXI, é bom que as empresas portuguesas sintam o apelo e o entusiasmo da concorrência. Afinal se Portugal é relativamente pequeno em termos demográficos à escala mundial podem surgir aqui os novos concorrentes que abalarão as empresas acomodadas que prosperam actualmente noutros países.

O teste ao dinamismo económico português não é saber se as maiores empresas nacionais vão existir daqui a 10 anos. O verdadeiro teste é tentar descobrir quem vão ser as novas empresas que concorrerão com sucesso no mercado internacional. No fundo todos deveríamos ser a favor da nova concorrência.

PS: no meu último artigo desta coluna critiquei a campanha publicitária que passou este Verão na televisão e que usava a imagem de um avião cheio de crianças para estimular o cumprimento do código da estrada pelos condutores. Nesse texto atribuí a responsabilidade da campanha à Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), que me escreveu rejeitando essas críticas, por não ter qualquer responsabilidade na campanha e até discordar da sua existência. A PRP facultou-me o seu projecto de comunicação que me disseram não recebeu o apoio das entidades públicas competentes. Lamento as críticas que dirigi à PRP nesse texto, e peço desculpa à PRP e aos meus leitores por esse lapso. Após receber esta informação mantenho os pontos gerais que fiz no texto embora a PRP apareça erradamente utilizada como exemplo do mau uso do dinheiro público. Os responsáveis desse mau uso encontram-se neste exemplo noutra esfera do Estado.

Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias