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Bolha ou negócio do século?

As boas decisões de investimento têm que se basear nos dados fundamentais sobre as economias, os mercados e as empresas cotadas em bolsa.

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As boas decisões de investimento têm que se basear nos dados fundamentais sobre as economias, os mercados e as empresas cotadas em bolsa. E mesmo uma análise realizada com profundidade não é garantia de rendibilidade no futuro. O risco sobe quando o investidor permite que as emoções interfiram nas opções de compra e de venda.

A entrada do Facebook na Nasdaq é uma daquelas ocasiões em que o tema das emoções e da razão no investimento em bolsa merece ser avaliado. A expectativa em redor da estreia no mercado foi enorme, alimentada ao longo dos vários meses que decorreram entre o anúncio da oferta pública inicial e a sua concretização, na sexta-feira passada. E permanece bem viva em relação ao que poderá ser o desempenho das acções da empresa detentora da maior rede social do planeta.

Um dos motivos está, precisamente, na popularidade do Facebook. A rede social tem uma dimensão impressionante, com os 900 milhões de utilizadores que já conquistou em todo o Mundo.

Trata-se de uma lista de clientes imensa, que todos os dias fornece, gratuitamente, informação preciosa sobre o seu perfil e os seus hábitos de consumo, oferecendo argumentos de enorme valor comercial a uma empresa que tem nas receitas de publicidade um dos pilares para o seu sucesso.

A ligação afectiva que se estabelece entre os utilizadores e o Facebook é um dos factores que pode perturbar a decisão de investimento. Muitos podem ser tentados, ou já o foram, a comprar acções porque simpatizam com o "produto" que a empresa "fabrica" e disponibiliza.

Outro risco está na possibilidade de a dimensão já atingida pelo Facebook impressionar os espíritos mais sensíveis. Como comentou Michel Walden, professor de Economia na Universidade da Carolina do Norte, o facto de a rede social ser "muito bem sucedida" não significa que a Facebook Inc. "será igualmente uma empresa bem sucedida". Será necessário que a sua gestão seja capaz de transformar os 900 milhões de utilizadores em receitas, lucros, dividendos e valorização das acções em bolsa.

Os números não deixam de impor respeito. A operação de dispersão das acções rendeu 12,4 mil milhões de euros, valor superior ao da soma que a troika disponibilizou para a recapitalização dos bancos portugueses. Pelas contas divulgadas pela Bloomberg, o Facebook terá de valer 920 mil milhões de dólares em 2020, a partir de uma capitalização bolsista actual em redor de cem mil milhões de dólares, se quiser oferecer aos accionistas que comparam títulos a 38 dólares uma remuneração idêntica à que foi proporcionada pelo Google. Num negócio tão volátil como o das redes sociais, parece um esforço imenso. O Facebook é uma bolha? Ou é o negócio do século?


joaosilva@negocios.pt

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