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Foi-se "book"

A expectativa foi elevada, mas a operação acabou por ficar manchada.

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A expectativa foi elevada, mas a operação acabou por ficar manchada. A primeira semana de vida do Facebook na bolsa deixou para a História um registo de descida nas cotações e de processos judiciais desencadeados por dúvidas quanto à transparência da operação de colocação. Se fosse apenas uma questão de imagem, os problemas já seriam sérios. Mas há mais.

Há ocasiões em que o entusiasmo em redor de um projecto gera a ilusão de que se está perante a empresa perfeita. O sucesso do serviço ou do produto que comercializa é tão esmagador que pode tornar-se difícil encontrar alguém que torça o nariz e se ponha a pensar. A queda do valor das acções do Facebook em comparação com o preço a que foram colocadas na oferta pública inicial virou as expectativas. As dúvidas sobre o negócio e a capacidade da empresa de vir a gerar resultados que compensem o investimento começaram a ser mais escutadas.

Há bons motivos para o esmorecimento. O Facebook não pára de crescer, mas também é verdade que está a expandir-se a ritmos mais elevados em mercados onde o poder de compra é muito inferior ao que se regista na Europa ou nos Estados Unidos. Ásia, América Latina e África são as regiões em causa e o preço que os investidores publicitários estão dispostos a pagar para promoverem a sua mercadoria nestes mercados é inferior ao que estarão dispostos a largar para conquistarem os consumidores das economias mais desenvolvidas.

A tendência para a mobilidade é outro detalhe que ajuda a perceber as reticências de muitos observadores em relação ao potencial de crescimento e à rendibilidade futura do Facebook. Nos mercados de menores rendimentos, onde a rede social está a crescer mais, os utilizadores acedem-lhe a partir de telemóveis, mais baratos do que um computador. Qual é o problema? Nenhum. A não ser o de que a empresa não tem, ainda, uma solução para colocar publicidade na respectiva aplicação e não se sabe qual poderá ser a reacção de quem vai ao Facebook para se entreter e, em troca, ter de aceitar ser massacrado com mensagens publicitárias.

Se o facto de um telemóvel inteligente ser mais acessível do que um computador ajuda a explicar por que motivo o Facebook tem um obstáculo para superar nos mercados em que a sua expansão é, actualmente, mais intensa, a mobilidade é uma tendência que veio para ficar. Os consumidores costumam render-se àquilo que é mais conveniente e prático. A era digital permite-lhes, por exemplo, ter acesso aos livros e à música que quiserem, em qualquer lugar, sem necessitarem de transportarem pesos, nem de arranjar problemas na coluna. E se, há poucos anos, os aparelhos necessários para desfrutar bens como aqueles pareciam simpáticos, um pequeno telemóvel bate-os por "KO". Falta saber que tolerância haverá à publicidade e se o modelo de negócio do Facebook tem futuro ou é arcaico.


joaosilva@negocios.pt

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