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O quintal britânico

Com as bolsas condicionadas pelas notícias preocupantes sobre a conjuntura em Espanha, o arranque da época de divulgação dos resultados do segundo trimestre das empresas cotadas é um daqueles eventos que passa para um plano secundário.

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Com as bolsas condicionadas pelas notícias preocupantes sobre a conjuntura em Espanha, o arranque da época de divulgação dos resultados do segundo trimestre das empresas cotadas é um daqueles eventos que passa para um plano secundário.

Nos dias que correm, a possibilidade de um colapso do euro, que a quarta maior economia da região da moeda única pode ajudar a precipitar, ensombra a apresentação da informação que mais importa para avaliar correctamente as acções admitidas à transacção nos mercados. Mas o facto é que, com Espanha ou sem o seu contributo para o actual sentimento negativo nas bolsas, o abrandamento económico vai estar reflectido nos números que vão começa a ser apresentados.

Os analistas não esperam outra coisa. De acordo com as contas da Bloomberg citadas pelo Negócios e realizadas com base nas estimativas de quem acompanha a evolução das empresas, os lucros das sociedades que integram o PSI 20 deverão registar uma queda de 42% em comparação com o mesmo período do ano passado. A projecção inclui a banca, sector que está no epicentro da crise financeira, e é consistente com a queda de 30% que o principal indicador da bolsa portuguesa registou nos 12 meses terminados a 20 de Julho.

Quando os bancos admitidos à cotação são excluídos dos cálculos, a perspectiva de descida dos resultados ganha cores menos sombrias, mas, ainda assim, de sinal negativo. Neste caso, os lucros deverão evidenciar uma descida na casa dos 16%, o que dá uma ideia da amplitude esperada para mais um trimestre de degradação da rendibilidade dos bancos cotados.

As médias que visam transmitir uma imagem genérica sobre o rumo dos mercados e das empresas cotadas são úteis, mas, ainda assim, não passam de médias. Muitas vezes, as florestas escondem árvores que crescem no seu interior e contrariam a tendência geral de definhamento. A Portucel, por exemplo, primeira empresa a divulgar as contas que fechou em Junho, anunciou um crescimento nos resultados.

Se a observação se estender a outros mercados, o cenário próximo, que exibe dificuldades e deterioração no valor das acções, é substituído por uma vista mais agradável. A pretexto do arranque dos Jogos Olímpicos de Londres, a 27 de Julho, o "Investidor Privado" analisa os impactos do acontecimento desportivo na economia britânica e mostra como um investidor pode tentar beneficiar da situação.

Um acontecimento pontual pode não ser motivo bastante para arriscar, sobretudo quando se actua com uma visão de longo prazo. E investidores com esta atitude sabem que os melhores fundos de investimento em acções do Reino Unido apresentam rendibilidades a três anos na casa dos 20% em cada um. Crise? Sim, para quem não olha para lá do seu quintal.


joaosilva@negocios.pt

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