João Cândido da Silva
João Cândido da Silva 21 de outubro de 2013 às 10:31

Os ovos todos no mesmo cesto

Um investidor que tenha ao seu dispor um apreciável manancial de informação toma melhores decisões para o seu dinheiro em comparação com alguém que esteja na posse de menos dados.

Um investidor que tenha ao seu dispor um apreciável manancial de informação toma melhores decisões para o seu dinheiro em comparação com alguém que esteja na posse de menos dados. A afirmação é verdadeira ou falsa?


É provável que a maioria das respostas àquela questão se incline para a considerar correcta. Mas o assunto não é tão pacífico como parece. Shane Parrish, autor do blogue "Farnam Street" e um dos vinte consultores financeiros que o "Wall Street Journal" considera mais interessantes de seguir no "Twitter", é céptico em relação às vantagens de se ter acesso a muita informação.


Num dos seus "posts" mais recentes, Parrish escreve que "uma das razões por que tomamos decisões piores quando temos mais informação está no facto de procurarmos informação que parece relevante mas que, na realidade, não o é". E quanto maior for o esforço para obter um determinado dado, acrescenta o autor, "maior será a tendência psicológica para lhe dar um valor excessivo". Por uma razão simples. Se o acesso a uma determinada informação obrigou alguém a gastar tempo e energia, essa pessoa vai sentir-se obrigada a usá-la.


A origem das más decisões pode, muitas vezes, começar aqui, porque a avaliação estará contaminada por critérios que diminuem a sua qualidade. O risco é o de atribuir muita importância a informação que não a merece e subestimar outra que justificaria maior peso na definição das opções que são assumidas.


Tudo isto merece ser ponderado quando um investidor tem de decidir em que activos vai investir ou desinvestir e escolher o momento em que o irá fazer. Se os elementos fundamentais e relevantes lhe estiverem a escapar, por excesso de informação ou incapacidade de os compreender, a probabilidade de fazer asneira aumenta.


Se há investidores que estão em boa posição para tomar decisões acertadas são os gestores das empresas. Conhecem, como ninguém, a realidade das companhias, as suas forças e fraquezas e as perspectivas de evolução. Têm informação abundante, mas também têm outra vantagem. Por via dos cargos que ocupam, têm maior facilidade em separar o essencial do acessório, pelo menos em teoria.


Por estas razões, há gestores de activos que seguem, com especial atenção, as operações de compra e venda realizadas pelos gestores com acções das empresas em que trabalham. Na análise feita pelo Negócios aos movimentos realizados, desde 2011, pelos gestores de empresas cotadas em Lisboa, imitar os administradores teria proporcionado resultados interessantes.


Com a ressalva de que o período em que se realizaram as diversas transacções não é rigorosamente coincidente com aquele que se considerou para medir o desempenho do índice, a rendibilidade média dos investimentos foi de 9%, enquanto a queda do PSI-20 superou 16%. Parece que não só o eventual excesso de informação não prejudicou estes investidores, como colocarem os ovos todos no mesmo cesto não lhes provocou prejuízos.

 

joaosilva@negocios.pt

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