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Só o dividendo não chega

Se a sua estratégia de investimento inclui a aposta na parcela da remuneração que tem origem nos dividendos distribuídos pelas empresas, o período do ano que lhe interessa está a começar.

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Se a sua estratégia de investimento inclui a aposta na parcela da remuneração que tem origem nos dividendos distribuídos pelas empresas, o período do ano que lhe interessa está a começar. Os tempos de crise não têm sido indiferentes para as acções que estão listadas em Lisboa, mas a fatia dos lucros obtidos em 2012 que será agora entregue aos accionistas ainda apresenta uma face atraente.


Em média, tendo como denominador as cotações actuais, a divisão do valor dos dividendos prometidos pelos preços praticados em bolsa revela uma rendibilidade em redor de 4% antes de serem descontados os encargos com o imposto sobre o rendimento. Isto significa que o retorno, nas condições actuais, fica bem acima do valor da inflação, o que é uma boa notícia para os investidores.


Acontece que as decisões de investimento, mesmo aquelas que privilegiam a obtenção de boas rendibilidades através dos resultados distribuídos, não devem limitar-se à simples observação do chamado "dividend yield". Ainda que uma determinada cotação de compra indique uma rendibilidade tentadora através dos dividendos, uma desvalorização futura do preço pode comer aquele retorno.


Uma boa rendibilidade do dividendo transforma-se em mera ilusão quando a empresa em que se investe está barata por atravessar um mau momento ou devido a uma conjuntura negativa no mercado, com a possibilidade de os preços poderem cair mais, provocando perdas, pelo menos potenciais, nas carteiras dos investidores. Por melhor que seja o aspecto do "dividend yield", a cotação a que se entra numa acção tem de ser avaliada de acordo com a saúde económica e financeira futura da empresa em que se está a investir.


Outra boa razão para não investir com base num único indicador tem a ver com a minimização do risco. Em Lisboa, há empresas cotadas que apresentam, actualmente, rendibilidades do dividendo bem acima de 10%. Uma dessas acções até chega a exibir um vistoso "dividend yield" próximo de 18%. O defeito está no facto de a sua liquidez ser reduzida ou praticamente nula, o que deve fazer soar os sinais de alarme. Investir em títulos que dão escassas garantias de que será possível vender quando se quiser é um perigo que não vale a pena correr.


Nada disto significa que o retorno dos dividendos deva ser menorizado quando se tomam decisões, mas apenas que uma análise correcta deve incluir outros indicadores. O historial da política de distribuição de lucros, as perspectivas de geração de resultados futuros que sustentem aquela repartição de resultados e as expectativas de valorização das acções são alguns dos critérios essenciais para evitar que um bom "dividend yield" se transforme num mau investimento.

 

 

 

joaosilva@negocios.pt

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