João Cândido da Silva
João Cândido da Silva 04 de novembro de 2013 às 10:58

Uma almofada na crise

Fustigadas com o aumento da taxa de desemprego, cortes nos salários e a subida da carga fiscal, as famílias portuguesas têm contado com escassas almofadas para amortecerem os impactos da crise económica e das medidas de austeridade.

Fustigadas com o aumento da taxa de desemprego, cortes nos salários e a subida da carga fiscal, as famílias portuguesas têm contado com escassas almofadas para amortecerem os impactos da crise económica e das medidas de austeridade. Mas há um reduto que tem resistido para quem está na posição de devedor em empréstimos para compra de habitação, contratados antes de os bancos terem começado a apertar a concessão de crédito e de as taxas de juro e os "spreads" terem começado a subir.


Ninguém foi capaz de prever que as taxas de juro que servem de indexante aos empréstimos em vigor fossem capazes de atingir níveis mínimos, impensáveis antes de a crise eclodir. O facto é que a Euribor, nos vários prazos, iniciou um movimento de descida, influenciada pelas decisões de redução do preço do dinheiro assumidas pelo Banco Central Europeu. Estão, agora, próximas de zero.


Este desempenho, ditado por um abrandamento económico na Zona Euro, que fez baixar o ritmo de crescimento dos preços no consumidor, resultou na descida das prestações mensais dos empréstimos. Pelo capital ainda em dívida, as famílias passaram a pagar um preço mais baixo do que aquele tinham contraído inicialmente, quando recorreram a uma instituição financeira para conseguirem os meios necessários para comprarem casa.


Durante quanto tempo mais poderá durar este "benefício"? As taxas Euribor, que, grosso modo, reflectem as taxas de juro médias nas operações interbancárias praticadas por 32 bancos da Zona Euro, registaram um ligeiro movimento de subida durante as semanas mais recentes e a circunstância é justificada por uma redução na liquidez disponível. Este aumento vai ter impacto nos contratos que são revistos em Novembro, pelo que as famílias com empréstimos nestas condições devem esperar um agravamento na prestação mensal. Será de baixa amplitude, em geral, mas acontecerá.


A questão está em saber se o futuro poderá trazer novos aumentos neste encargo que pesa sobre milhares de agregados em Portugal. É preciso saber o que fará o Banco Central Europeu com a sua taxa de referência, actualmente fixada em 0,5%. A autoridade monetária do euro tem como objectivo manter a taxa de inflação abaixo de 2% e, em variação homóloga, o indicador quedou-se por 0,7% em Outubro passado, depois de ter encerrado Setembro em 1,1%.


Com a economia anémica, alguns analistas acreditam que, em breve, o BCE poderá descer a taxa de juro de referência e colocar em marcha um novo programa de cedência de liquidez às instituições financeiras. As medidas contribuiriam para uma descida do preço do dinheiro e para o consequente alívio das prestações nos empréstimos à habitação. Antes do final de 2013, a situação ficará esclarecida.

 

 

 

joaosilva@negocios.pt

 

 

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