João Quadros
João Quadros 18 de julho de 2014 às 09:40

A importância de um nome

No passado domingo, o Banco de Portugal convocou para a hora do jantar uma reunião extraordinária do Conselho de Administração do BES para determinar a cooptação dos novos membros para a comissão executiva.

 

No passado domingo, o Banco de Portugal convocou para a hora do jantar uma reunião extraordinária do Conselho de Administração do BES para determinar a cooptação dos novos membros para a comissão executiva. Na altura, a minha primeira conclusão foi que o BES, e o BP, estavam entregues ao 'lobby gay' - quem mais marcaria uma reunião para a hora da final do Mundial de Futebol?! Marcar uma reunião para a hora em que está a dar o Alemanha-Argentina diz muito sobre o mundo - à parte - onde esta gente vive. Aposto que se fosse a final de golfe o Carlos Costa não punha os pés na reunião. Para mim, foi um momento importante em termos de definição do meu futuro. De certa forma, fico descansado em saber que nunca poderia ser presidente do BES: jamais perderia a final, lamento.


Na terça-feira as acções do BES voltaram a cair a pique. Afinal, os mercados que não tinham acalmado quando foi anunciado o Vítor Bento, também não acalmaram quando o Vítor Bento entrou, o que me levou a pensar que, provavelmente, os mercados gostam tanto do Vítor Bento como eu. Voltei a ficar preocupado. Relembro que tinha chegado à conclusão que não queria ter cargos de relevo no BES, por isso, foi com pânico que encarei a hipótese de uma intervenção do Estado. Lá vamos nós ter mais um banco, era só o que nos faltava! Eu não quero mais bancos! Salvem a mercearia aqui da esquina, que é mais útil e ainda não temos nenhuma. Eu não quero ser dono disto tudo. Deve dar uma trabalheira, e é péssimo quando fazemos anos, porque os nosso amigos não sabem o que nos oferecer, porque nós já temos tudo.


Como é natural, nestes momentos de tragédia surgem sempre portugueses dispostos a ajudar quem tudo perdeu e nada tem. Soares dos Santos veio, de imediato, a público relembrar a importância de salvar a família Espírito Santo. De borla, posso dar uma ideia ao dono do Pingo Doce: que tal oferecer 10% dos lucros da venda de pacotes de leite, numa campanha denominada "Dar de mamar ao BES"? Hum? Parece-lhe bem? Podíamos criar aqui um fluxo. Por exemplo: o Soares dos Santos doava à família Espírito Santo 20% da venda dos vinhos Granadeiro (dizem que vai passar a fazer vinagre).


Hoje (escrevo a crónica na quarta) os mercados ainda continuam de pata atrás com o BES, e alguns especialistas acham que, neste momento, o mais importante é separar o nome do banco do nome Espírito Santo... Banco Salgado também não dá. Podia ser Banco Laranja (podiam usar o velho jingle do anúncio da Bic, evitando a parte do banco cristal). Também podiam optar por tornar a separação ainda mais evidente, por exemplo: Banco Nada Espírito Santo. Ou Banco Diabólico. Posso estar enganado, mas julgo que a sigla BPN também está à venda, e dava jeito entrar massa. Porque não vendemos os Miró?


Na verdade, acho que separar o nome Espírito do Santo do banco é a ideia mais estapafúrdia e inconcebível que já ouvi. Tirar o ES do BES, é como tirar o nome Sintra das queijadas, ou Porto no Vinho do Porto. É mais que um nome, é uma tradição, é o prestígio da marca. O BES, sem a família Espírito Santo, deixa de fazer sentido: nada o distingue dos outros. O que dava sossego, e conforto, aos clientes era, precisamente, o facto do banco pertencer há 150 anos a esta família, a última das grandes famílias tradicionais. O sabermos que, lá em cima, estava o Salgado (e toda a dinastia), o DDT, a olhar por nós. Era o quentinho, como no velho clássico português 'O Pátio das Cantigas' quando as crianças, no meio do alvoroço, são colocadas numa carroça que tem escrito "Salazar", enquanto Vasco Santana declara: "aqui, estão em segurança".


Depois do fim dos Espírito Santo, resta rezar para que a família Santini não se meta num esquema de ponzi, ou nada irá restar dos velhos tempos; e daquele óptimo gelado de baunilha.

 

 

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TOP5
Espírito Santo de Orelha


1 "Cavaco Silva felicita canoístas que conquistaram seis medalhas nos Europeus" - Felicita tudo o que meta canoas, menos o Carlos do Carmo.


2 "Bárbara Guimarães poderá apresentar o reality show de empreendedores Shark Tank, na Sic"
- É mal pensado porque ainda aparece lá o Carrilho com ideias.


3 "Ciclista favorito à vitória na Volta à França, Alberto Contador, partiu a tíbia" - Com a dose do Armstrong só dava por isso no final da volta.


4 "Os simpatizantes para poderem votar têm de assinar documento a dizer que concordam com os princípios do PS" - Mas estas eleições não são contra os princípios do PS?!


5 "Comissão da Natalidade - Propõe menos IRS e trabalho part-time pago a 100%" - O Governo diz que não sabe se tem capacidade financeira para fazer o que diz a comissão da natalidade; estão tal e qual como os casais; seja bem-vindos.

 

 

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