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João Quadros - Argumentista 10 de Setembro de 2010 às 11:00

A União da vizinha é melhor que a minha

Eu já tentei "pensar Europeu", mas é complicado porque fico esquizofrénico e, consequentemente, começo a sofrer de disfunção de personalidade.

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Na passada terça-feira, em Estrasburgo, num discurso com um título de inspiração norte-americana, Durão Barroso exortou os estados membros a "pensar europeu." Nada é feito ao acaso - Durão nasceu no Havai da União, e para um finlandês, dinamarquês; ou para o Sarkozy, ele é praticamente um negro.

Eu já tentei "pensar Europeu", mas é complicado porque fico esquizofrénico e, consequentemente, começo a sofrer de disfunção de personalidade. Tão depressa sou um francês que expulsa ciganos como um italiano que tem ciganos no governo. Dou por mim a pensar à alemã e a suspirar pelo marco e pela Mitteleuropa (mas em privado); e logo de seguida dá-me uma ânsia de comer moussaka e vou para a rua virar automóveis e pedir euros a todos. Só consigo adormecer quando começo a pensar sueco, nomeadamente, em filmes do Ingmar Bergman.

Para facilitar, vou pensar português o resto da crónica. A Europa é muito complexa para nós; quanto mais não seja porque há muita coisa que está em alemão. Nos dias de hoje, os portugueses desconfiam da União Europeia e ela acha que nos deu confiança a mais. Apanhámos o comboio europeu ainda jovens, mas já entradotes, ainda andámos a dormir no banco, a comer sandes e a vestir mal. Em súmula: a fazer inter-rail.

O "pensar europeu" dos portugueses, o Durão Barroso conhece bem. Resume-se a: "assim que eu puder, piro-me para outro país da Europa." É a única altura em que visualizamos o mapa europeu.

E nem sequer é bom para nós pensar europeu. Porque se começamos a pensar demasiado europeu não conseguimos fazer negócios em Angola. Angola é a nossa nova União Europeia , interessa-nos mais o que se passa em Luanda do que em Estrasburgo

A nossa relação com a UE é uma relação condenada ao fracasso nos astros. Eu sei que os portugueses acreditam no horóscopo, ou pelo menos confiam mais nos signos que nos políticos, e o que dizem os signos sobre a nossa relação com a União Europeia? Se considerarmos que a actual União Europeia nasceu com o tratado de Roma a 25 de Março de 1957 , é do signo Carneiro. Portugal, como é sabido, nasceu a 5 de Outubro de 1143 e é Balança. O que dizem os especialistas sobre esta relação? (http://www.lovecalculator.be/pt/compatibilidade/carneiro.php)

CARNEIRO & BALANÇA: Embora os opostos se atraiam, os Balanças são simplesmente demasiado preguiçosos para acompanhar o seu passo. Por outro lado falta-lhes a sofisticação necessária para manter um Balança feliz.

Sabendo que o Império Alemão foi fundado a 18 de Janeiro de 1871, veja o que diz sobre a relação CARNEIRO & CAPRICÓRNIO: As finanças são o maior detrimento desta ligação. É capaz de gastar o dinheiro tão rapidamente quanto o ganha o trabalhador Capricórnio o que faz com que o frugal Capricórnio perca as estribeiras . -Mesmo para quem não acredita nos astros, é de arrepiar…

Não sei quem disse: "O Danúbio é a aorta da Europa, o Tejo uma variz" , mas resume tudo. Espera lá, fui eu que disse, agora mesmo. Ainda não estou bem e só estive uns segundos a pensar europeu. É melhor ficar por aqui. Auf wiedersehen!

Marketing europeu

A UE não entusiasma ninguém. Perguntas como "O que acha do imposto único europeu", e temas como o Tratado de Lisboa, não mexem com os portugueses. Se queremos aproximar as pessoas da Europa temos que pegar em assuntos mais populares como: festas, divórcios e escândalos, para depois, então, começar a explicar o Tratado. Exemplo: "Acha que a mulher de Berlusconi fez bem em pedir o divórcio?"; "Sabe qual é o aftershave de Angela Merkel?"

A União Europeia devia promover uma publicação, paga pelos vinte e sete, que fosse uma espécie de Caras/ 24 Horas da U.E. A UE precisa de paixão e de escândalo. O parlamento europeu precisa de empernanços na bancada e aviões de papel com bilhetinhos. E deviam comprar um cão, ou uma mascote, que fosse a mascote da UE. E a bandeira devia ser mais alegre. Precisamos de uma bandeira da Europa que seja um símbolo sob o qual todos se sentem unidos. Talvez um guarda-chuva com as letras UE.

Pensador europeu da semana

" I've never sent her flowers. If I sent her flowers, she would get worried." Tony Blair

No livro "A Journey: My Political Life" , Tony Blair afirma que voltaria a tomar as mesmas decisões que tomou em relação à invasão do Iraque. Talvez por isso o livro seja conhecido como a autobiografia-aérea de Tony Blair. Da mesma colecção, e depois de "A Journey", esperamos para breve a autobiografia de Durão Barroso - "A shortcut ".

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