João Quadros
João Quadros 06 de novembro de 2015 às 09:57

O XX entregou-se a Deus

Cavaco Silva atribuía a Nossa Senhora os sucessos nas avaliações da troika, Cristas pedia aos agricultores para rezarem por chuva, Passos andava de crucifixo em campanha
Cavaco Silva atribuía a Nossa Senhora os sucessos nas avaliações da troika, Cristas pedia aos agricultores para rezarem por chuva, Passos andava de crucifixo em campanha e, agora, o novo ministro da Administração Interna culpa o diabo pelas cheias em Albufeira. Portugal é uma reunião da IURD com um dízimo ao cubo. Não é por acaso que o principal candidato a Presidente da República fazia homilias ao domingo e que até os comunistas apostam no padre para PR.

A partir do momento em que um ministro da Administração Interna vem atribuir a culpa dos estragos de umas cheias ao demónio, tudo é possível, incluindo o exorcismo da Constituição. O ministro da Administração Interna vai propor presentes a Deus para dominar o temporal. Calvão acha que um presente de 14 milhões de euros é natural e que uma cheia é obra do demónio. Calvão da Silva, decididamente, não acha que o diabo está nos detalhes. Quando o recém-responsável pela Administração Interna diz que "o que aconteceu em Albufeira foi uma força demoníaca", é uma acusação grave. É verdade que Albufeira é um bocado sinistra, mas parece-me exagerado apontar o dedo ao diabo pelas falhas na construção, ordenamento, etc. Seja como for, não deixa de ser o ministro das Polícias a acusar o Demónio. Já ouvi falar muitas vezes no advogado do Diabo, se eu fosse o Mefistófeles ligava-lhe.

Claro que, do ponto de vista teológico, estas cheias também podem ser atribuídas a Deus. Não era a primeira vez que Ele usava água em excesso; e a destruição foi em Albufeira e o Criador é conhecido como o grande arquitecto. Provavelmente, há uma corrente que, ao contrário da força demoníaca do Calvão, defende que foi um acto divino de arquitectura paisagística.

O que já me parece mais estranho é que o ministro da Administração Interna encomende a Deus as vítimas das cheias. É verdade que este Governo misturou o Ministério da Cultura com a Igualdade e a Cidadania, mas não acredito que este seja um Ministério da Administração Interna das Almas. Ver um ministro encomendar o paraíso para alguém é um passo em frente para este ministério que, com o antecessor, apenas metia cunhas para vistos Gold de residência.

Quando o ministro Calvão da Silva afirma que o senhor de "oitentaianos", que morreu em Boliqueime, "entregou-se a Deus, com certeza que lhe reserva um lugar adequado", no fundo está a dizer que o senhor fez o que fez a malta que aceitou o convite de Passos para este Governo de quinze dias. De certa forma, é impossível não ter a certeza que Deus nos reserva um lugar adequado, quando o Sérgio Monteiro vai liderar a venda do Novo Banco. Aleluia!


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Meia dúzia de fúrias demoníacas

1 Ministério da Cultura e da Igualdade - "a nova ministra da Igualdade e Cultura vai ter de fazer uma ópera só com ciganas".

2 "Nuno Magalhães recandidata-se à liderança da bancada do CDS" - Nuninho X: "mamã, o papá vai ser líder da bancada!".

3 "Marta Rebelo, ex-deputada do PS, termina namoro por causa do namorado ter deixado fugir o gato" - isto terminava em beleza com o namorado da Marta a deixar SMS - "Marta, lembras-te daquele jantar de arroz de coelho que eu fiz na sexta"?

4 "Sérgio Monteiro deixa Governo para liderar venda do Novo Banco" - já está na altura de fazer o grupo os Beneficiados do BES.

5 Francisco Assis vai reunir-se com militantes do PS no sábado, na Mealhada - antes a esquerda caviar que a direita leitão. Assis vai fazer a rodagem do Clio à Mealhada.

6 Ministério da Cultura e da Igualdade - tanto vendem a arte da Joana Vasconcelos como os quadros do Miró.

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