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Jorge Fonseca de Almeida 19 de Maio de 2020 às 17:40

Campanha Antirracista de Apoio Imediato: reações e apoios

Na verdade o termo antirracista é um termo muito abrangente. Ele inclui todos os que não se consideram racistas e se opõem a essa ideologia ignóbil. Só exclui os racistas, que segundo consta nem existem em Portugal. Seria, pois, um termo virtualmente universal, como o é noutras geografias.

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Na semana passada deixei aqui a minha opinião sobre a oportuna e meritória campanha de recolha de donativos lançada por iniciativa da sociedade civil em prol das comunidades mais afetadas pela pandemia que tem ceifado vidas e devastado a economia do nosso país. Recebi opiniões e respostas de muitos leitores. É sobre elas que gostaria hoje de falar.

 

Um leitor a coberto de anonimato deixou um inteligente e profundo comentário, que ainda pode ser consultado online no final do artigo da semana passada, chamando-me "Porco Comunista". Interessante como na mente de alguns portugueses a solidariedade com os que sofrem está associada ao comunismo. Em tempos de outras pandemias e grandes depressões os comunistas lançaram uma organização denominada Socorro Vermelho de apoio às vítimas da crise. Mas essa memória desvaneceu-se e não seria certamente por isso que este amável e educado leitor me invetivava desse modo.

 

Mas a crítica principal que recebi foi a de que a campanha, sendo justa e oportuna, restringia o seu âmbito e por isso não merecia ser apoiada. Não percebendo o significado destas ambíguas palavras inquiri – deveria a campanha alargar o âmbito apoiando os que não foram atingidos pela crise? Não, não, retorquiam, nesse aspeto o âmbito está perfeito. Então onde estaria a restrição? Timidamente respondiam no "Antirracista". Como resolver então a questão? Lançar uma campanha racista? Também não, claro, seria imoral e injusto. Uma vergonha. E, pior, seria muito mais restritiva. Então?

 

Na verdade o termo antirracista é um termo muito abrangente. Ele inclui todos os que não se consideram racistas e se opõem a essa ideologia ignóbil. Só exclui os racistas, que segundo consta nem existem em Portugal. Seria, pois, um termo virtualmente universal, como o é noutras geografias. No entanto, em alguns setores da sociedade portuguesa, ele parece ser controverso e incómodo. Porquê?

 

Não haverá certamente uma resposta única a esta questão e todos os contributos para a ela responder são bem-vindos. Deixo-vos duas pistas: a) vergonha - por depois de um século de repetir à exaustão que não existe racismo em Portugal ele ser tão visível em áreas como a pobreza, a habitação e o acesso ao ensino. De facto é algo de que nos devemos envergonhar e nos devemos empenhar em corrigir; b) racismo disfarçado de cegueira para as cores – um tipo de racismo mais subtil que finge não ver cores para melhor perpetuar as injustiças raciais.

 

Mas este é um interessante tema para debate. Espero mais comentários e opiniões. Agradeço, contudo, que não repitam o contributo que o leitor acima referido já deu. Seria plágio.

 

Informei-me sobre a campanha. Tem corrido bem. Muitas pessoas contribuíram. Sei também que face às carências atuais continuam a necessitar de todos os contributos que generosamente lhe possam chegar.

 

Economista

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