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Jorge Fonseca de Almeida 05 de Maio de 2020 às 16:46

China um exemplo no combate à pandemia

Não querer aprender com os melhores exemplos, recusar os bons concelhos, afastar por razões ideológicas as melhores práticas pode levar, a existir uma segunda vaga ou outra pandemia.

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Agora que a primeira onda da pandemia está em declínio na Europa e nos Estados Unidos é talvez possível fazer algumas contas rápidas para comparar o desempenho dos três grandes blocos: China, União Europeia e Estados Unidos. Usaremos apenas um indicador. O que tem mais relevância: o número de mortos por milhão de habitantes.

 

Naturalmente seria importante olhar também ao número de infetados para perceber a rapidez e a eficácia da resposta de cada país mas infelizmente a falta de testes impediu que essa contagem fosse fidedigna.

 

Os números a 4 de maio são os seguintes: União Europeia – 108.121 mortos, EUA- 68.633 mortos, China 4.633 mortos. Considerando agora as populações de cada bloco chegamos ao seguinte número de mortos por milhão de habitantes: União Europeia – 242 Estados Unidos – 207 e China – 3 (isso mesmo três)! A União Europeia que tanto tem criticado, muitas vezes com razão Donald Trump pela sua gestão criminosa da pandemia, tem, afinal, um desempenho muito pior que o dos Estados Unidos. Uma profunda autocrítica seria mais produtiva, agora que podemos ter de enfrentar uma segunda onda, do que uma critica a terceiros com melhores resultados.

 

Mas o que ressalta é o extraordinário desempenho da China que conseguiu conter a pandemia na província de Hubei, aí concentrar meios de combate, construir hospitais em tempo record, enviar apoio médico das outras províncias, evitar o contágio e impedir centenas de milhares de mortos. Estudar a estratégia chinesa é o que se impõe.

 

Muitos clamam que estes resultados chineses estão adulterados, que outros não podem fazer melhor do que os europeus, ou do que os ocidentais. Mas olhemos para os números dos países que basicamente seguiram a estratégia chinesa: Japão – 4 mortos por milhão de habitantes, Singapura – 3 mortos por milhão de habitantes, Coreia do Sul – 5 mortos por milhão de Habitantes. Estarão todos a mentir? Os números chineses não diferem afinal de muitos outros países altamente credíveis como o Japão. Até os rivais chineses de Taiwan têm números da mesma ordem e até bem melhores 0,3 mortos por milhão. Não há, pois, campo para duvidar dos números chineses autenticados pela OMS.

 

Com explicar então a diferença abismal da mortalidade de 3 para 242 na Europa? A explicação mais plausível é a diferente gestão política que foi feita da crise.

 

A lentidão em decretar a quarentena, a incapacidade de limitar as áreas afetadas, a recusa de deslocar meios de uns países para os outros explicam muito do que sucedeu. Uma resposta em que cada um temia que o parceiro tirasse proveito da paragem, em que as empresas receavam perder lucros, em que os empregados tinham medo de perder o seu emprego levou a que a resposta fosse tardia e de baixa qualidade.

 

Acrescem ainda sistemas de saúde depauperados por anos de austeridade, com falta de equipamentos e de pessoal.

 

E Portugal? Com 104 mortos por milhão de habitantes o país fez melhor que a média da União Europeia, mas muito longe das melhores respostas que se verificaram na Áustria (67 mortos por milhão), da Polónia (18 por milhão), República Checa (23 mortos por milhão), Hungria (36 mortos por milhão), Grécia (14 mortos por milhão), Croácia (19 mortos por milhão), Eslováquia (5 mortos por milhão), Malta (9 mortos por milhão) entre outros. Não foi um desempenho desastroso como o da Bélgica (684 mortos por milhão) ou da Espanha (544 mortos por milhão de habitantes), mas mesmo assim ficou longe dos melhores.

 

Não querer aprender com os melhores exemplos, recusar os bons concelhos, afastar por razões ideológicas as melhores práticas pode levar, a existir uma segunda vaga ou outra pandemia, que se comentam os mesmos erros segunda vez, com as mesmas consequências humanas desastrosas. Já hoje estamos a pagar esse macabro preço. É importante assegurar que o não voltamos a pagar.

 

Economista

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