Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 20 de agosto de 2019 às 13:30

General Electric acusada de mega fraude

As reservas das companhias de seguro da GE não estão preparadas para os pagamentos de seguros que se aproximam. Muitos estimam que o ratio de prejuízo vai passar dos estonteantes 750% para mais de 1.000%.

Na quinta-feira passada, dia 15 de agosto, as ações da General Electric (GE), uma das maiores empresas norte-americanas, caíram abruptamente mais de 10%. Na raiz desta espetacular desvalorização está um relatório que acusa a empresa de estar envolvida numa fraude contabilística maior do que a que deitou por terra a Eron em 2001.

 

As contas da empresas não refletem a verdadeira situação financeira da empresa afirma o relatório produzido pela equipa de Harry Markopolos o famoso especialista em contabilidade empresarial, o homem que desmontou o esquema do financeiro Madoff.

 

Do que foi possível apurar por Markopolos existiria uma fraude no valor de 38 mil milhões de dólares, no que designou de "ponta do iceberg".

 

O relatório tornado público explica que a fraude foi descoberta ao comparar as contas individuais das companhias de seguros da GE Capital com as contas consolidadas da GE. Como as contas de uns e outros não são compatíveis alguma das partes está a esconder parte da realidade. Como ambas as partes pertencem à GE parece não haver dúvidas de que a empresa está envolvida de uma forma ou de outra.

 

A fraude radica no não reconhecimento nas contas consolidadas da GE de prejuízos em seguros de cuidados de longa duração ("Long Term Care" - LTC). No caso da ERAC, uma das seguradoras envolvidas, a idade média dos segurados é já de 75 anos e os prejuízos vão-se acumulando à medida que os clientes envelhecem.

 

Recorde-se que os seguros de cuidados de longa duração garantem o pagamento de lares, apoio domiciliário, ou de outras unidades de cuidados na terceira idade.

 

O custo elevado destes seguros, acima dos 2.000 USD por ano, exclui a grande maioria da população americana, pelo que os que o podem adquirir são exatamente os que vivem mais e que o acabarão por precisar deste tipo de cuidados. Uma seleção negativa que está a causar prejuízos de dimensões verdadeiramente colossais.

 

As reservas das companhias de seguro da GE não estão preparadas para os pagamentos de seguros que se aproximam. Muitos estimam que o ratio de prejuízo vai passar dos estonteantes 750% para mais de 1.000%. As reservas têm de ser reforçadas em 28 mil milhões, que não estão registados nas contas da GE.

 

Adicionalmente o relatório acusa a GE de esconder 9,1 mil milhões de dólares de perdas com a compra e posterior venda da empresa Baker Hughes.

 

Na sexta-feira o CEO da empresa efetuou uma volumosa compra de ações da GE procurando infundir confiança no mercado. A cotação subiu efetivamente. Aguardam-se os próximos episódios.

 

Uma coisa é certa: uma falência desordenada da GE lançará ondas de choque por todo o planeta, incluindo em Portugal onde a GE tem vários negócios dirigidos de Espanha, nomeadamente na área financeira. É preciso estar atento.

 

Economista

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