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Jorge Fonseca de Almeida 13 de Outubro de 2020 às 18:00

Leilões e Prémio Nobel da Economia

Experiências a estudar não faltam. Poder-se-ia eventualmente provar uma elevada correlação entre Ajuste Direto e Corrupção. Talvez merecesse um Nobel.

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Este ano o Prémio Nobel da Economia foi atribuído a dois professores da Universidade de Stanford na Califórnia, Paul Milgrom e Robert Wilson, pelo trabalho que desenvolveram sobre leilões.

 

Os leilões são um excelente instrumento para os indivíduos, as empresas e os Estados venderem ou comprarem um largo espetro de bens de forma otimizada. São exatamente o contrário do ajuste direto que é o pior instrumento.

 

Existem basicamente quatro tipos de leilões, que podem ser combinados em múltiplas variações: i) o leilão em que os concorrentes entregam as suas propostas em simultâneo e o que oferece mais ganha e paga o preço que propôs; ii) o leilão em que os concorrentes entregam as suas propostas em simultâneo e o que oferece mais ganha mas paga o segundo preço mais alto oferecido; iii) o leilão em que os concorrentes vão oferecendo até que ninguém cubra a última oferta; iv) o leilão que começa num valor elevado e vai descendo até que alguém ofereça o preço proposto.

 

Os Estados organizam diversos e grandes leilões como o das concessões de frequências de rádio para telecomunicações, o dos canais de televisão, o da concessão dos aeroportos, dos portos, das estradas e pontes, como os das privatizações, como os das compras de fornecimentos de armas (submarinos e outros), materiais hospitalares e outros. É importante que o seu desenho sirva os interesses dos contribuintes.

 

Que mecanismos podem ser acrescentados para otimizar as receitas do vendedor ou assegurar um preço baixo ao comprador. A Teoria dos Leilões tem sido desenvolvida ao longo dos tempos. Um dos contributos importante destes economistas foi a explicação do valor comum em que todos os participantes se reconhecem no final do leilão e as formas de evitar a maldição do vencedor.

 

A maldição do vencedor refere-se ao facto que muitas vezes o vencedor de um leilão acabar por oferecer um valor mais alto do que o valor real do bem, o que traduz por um prejuízo ou por um ganho menor do que o antecipado.

 

Evitar esta maldição torna os leilões mais transparentes e mais justos para todas as partes.

 

O domínio das técnicas dos leilões é crucial nos Estados modernos. Em Portugal contudo prefere-se, tantas vezes, recorrer ao ajuste direto e não são conhecidos contributos relevantes de economistas portugueses para a Teoria dos Leilões.

 

Em contrapartida a Teoria do Ajuste Direto nunca foi solidamente desenvolvida. Eis uma grande oportunidade para os economistas portugueses. Experiências a estudar não faltam. Poder-se-ia eventualmente provar uma elevada correlação entre Ajuste Direto e Corrupção. Talvez merecesse um Nobel.

 

Economista

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