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Jorge Fonseca de Almeida 22 de Setembro de 2020 às 19:50

Mckinsey alerta para racismo no setor financeiro

Precisamos de regras claras que permitam preservar a grande e rica diversidade da sociedade portuguesa em todas as áreas económicas e a todos os níveis das estruturas produtivas, sociais e políticas. Sem regras claras a situação continuará a agravar-se.

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Ao analisar o setor financeiro norte-americano a Mckinsey, insuspeita consultora internacional de crédito bem firmados, demonstrou que existem grandes lacunas nos sistemas de promoção de bancos e outras instituições financeiras que impedem a representação equilibrada de negros e outras minorias a todos os níveis destas organizações e mais agudamente nas posições de topo.

 

Por outro lado a Mckinsey confirmou outros estudos que têm demostrado que a produtividade está claramente correlacionada com o grau de diversidade das instituições, sendo as empresas mais diversas mais produtivas.

 

Num recente estudo levado a cabo pela Mckinsey para a Fundação Kellogg verificou-se que nos Estados Unidos 9 em cada 10 executivos do setor financeiro são brancos. Também se verificou que em termos de mircro-agressões laborais, quer pela hierarquia quer por colegas, negros e asiáticos apresentam valores muito acima da média e que os brancos são os que exibem valores mais baixos. Nos EUA, segundo o estudo da Mckinsey, nos níveis de entrada o recrutamento é equilibrado. O que acontece é que negros e membros de outras minorias ficam retidos nos níveis mais baixos.

 

A Mckinsey acaba desafiando as empresas a elaborar programas inclusivos

que permitam num curto espaço de tempo alterar esta realidade.

 

Em Portugal a situação é comparativamente pior na medida em que é visível, por uma simples deslocação a uma agência ou sucursal bancária, a ausência de negros, ciganos e outras minorias nos balcões e nos postos de chefia locais, não existe ainda a consciência nos decisores de que é necessário mudar rapidamente. Ou seja ao problema da política de promoções acresce a de recrutamento e a sensibilização para o problema.

 

A maioria das instituições do setor bancário português são estrangeiras, com predominância espanhola. O Estado português pode e deve exigir que estas empresas que não discriminem os portugueses em função da cor da pele ou da sua etnia, como aliás é proibido pela nossa Constituição. Obviamente esta atuação não deve ela própria ser discriminatória pelo que essa exigência deve ser extensiva às empresas nacionais desse e de outros setores, nomeadamente as que empreguem mais de 20 trabalhadores.

 

Precisamos de regras claras que permitam preservar a grande e rica diversidade da sociedade portuguesa em todas as áreas económicas e a todos os níveis das estruturas produtivas, sociais e políticas. Sem regras claras a situação continuará a agravar-se.

 

O setor financeiro é, sem dúvida, um dos que requerem uma maior alteração. Também a este nível os sindicatos do setor devem ter uma palavra a dizer no sentido de afastar a discriminação e promover a diversidade. Também eles precisam de acordar para este problema.

 

Por isso lançamos também nós esse repto aos decisores do setor financeiro, nomeadamente bancos e companhias de seguros, para que tomem as necessárias medidas em termos de políticas de recrutamento, formação e promoção, que assegurem a diversidade a todos os níveis.

 

Economista

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