Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 22 de outubro de 2019 às 16:51

Morte, incêndios e responsabilidades

Em Portugal nunca ninguém investiga a REN como causadora de incêndios florestais, mas a verdade é que as linhas de alta tensão atravessam, como na Califórnia, várias áreas de floresta. Por lá causam fogos por cá, estranhamente, não.

A PG&E, companhia privada de gás e eletricidade, é uma das primeiras baixas empresariais das alterações climáticas. O pedido de insolvência com proteção de credores e o apoio do Estado permitem-lhe continuar a operar, mas os acionistas sofreram já enormes perdas e o futuro da empresa é incerto.

 

A seca e o vento forte são fatores que propiciam os incêndios florestais. Mas apenas uma ignição os pode provocar. Consequentemente quem pega fogo é o responsável pelo incêndio e pelos prejuízos que este cause. Ora as linhas de alta tensão provocaram o ano passado um dos maiores incêndios que há memória na Califórnia.

 

Os incêndios de novembro de 2018 mataram 85 pessoas e destruíram mais de 15.000 casas e centenas de estabelecimentos comerciais. A cidade de Paradise foi totalmente queimada. A PG&E responde por grande parte destes prejuízos e perdas humanas.

 

Imediatamente as vítimas entraram com processos em tribunal pedindo avultadas indemnizações à causadora do incêndio: a PG&E. São centenas de processos totalizando 30 mil milhões de dólares. Imediatamente as cotações da empresa afundaram e depois do pedido de insolvência a empresa acabou por sair do S&P 500 que lista as maiores empresas norte-americanas.

 

Mais recentemente parece avançar-se para uma situação em que depois da falência a associação de vitimas se torne a principal acionista da entidade que venha a ficar com os ativos e a operação da atual PG&E.

 

Este ano a empresa para não provocar mais incêndios decidiu unilateralmente desligar as linhas cortando a eletricidade a mais de 2 milhões de californianos. A resposta foi colérica. A empresa enfrenta novas acusações e novos processos.

 

Tudo porque não soube adaptar-se às novas condições climatéricas, mais secas e ventosas que se fazem sentir na Califórnia. Tudo porque não soube investir atempadamente em linhas adequadas à nova situação. Tudo por causa da sua cegueira em relação à realidade.

 

Em Portugal nunca ninguém investiga a REN como causadora de incêndios florestais, mas a verdade é que as linhas de alta tensão atravessam, como na Califórnia, várias áreas de floresta. Por lá causam fogos por cá, estranhamente, não.

 

Como seria se tivéssemos uma justiça a sério?

 

Economista

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