Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 05 de abril de 2016 às 18:50

O RFID pode mudar o Retalho?

O RFID – a identificação por rádio frequência – está a mudar a etiquetagem e a alterar enormemente o seu âmbito. Etiquetar um animal? Substituir o nome bordado no bibe por um RFID? O futuro não parece risonho para os códigos de barras.

Parecendo um pequeno autocolante, o RFID é na verdade um minúsculo "transponder" capaz não só de armazenar informação como também de a transmitir quer em resposta a sinais recebidos quer tomando a iniciativa da comunicação. Para reconhecer objetos, animais e pessoas foi desenvolvido um número-padrão de identificação, o EPC (código eletrónico de produto), que funciona como um autêntico código de barras digital, sendo que permite guardar mais informação.

 

Estas etiquetas podem ser colocadas em objetos, mas também em animais ou mesmo em pessoas, permitindo acompanhar o seu movimento dentro dos limites dos leitores.

 

Colocado num livro de uma qualquer livraria permite localizar em que prateleira é que se encontra ou se foi deixado por algum cliente desarrumado fora do sítio.

 

Imaginem a poupança de uma empresa que tenha grandes "stocks" e que tenha de fazer o inventário periodicamente. As contagens passam a ser instantâneas, as quebras muito menores e os roubos mais difíceis. Pensem numa empresa que tenha uma cadeia de produção longa – pode monitorizar em que fase de produção se encontra cada artigo. A indústria automóvel já os utiliza com sucesso.

 

Colado a um animal doméstico, permite localizá-lo onde quer que se tenha escondido. Preso ao bibe de uma criança, de um infantário ou de uma escola primária, permite com mais facilidade, localizá-la se se perder no recreio. É que, ao contrário do código de barras, o RFID não precisa de estar em frente do leitor para poder ser lido.

 

As primeiras utilizações das etiquetas RFID foram no controlo de acessos a instalações e depois no transporte de objetos (encomendas, correio especial, etc.) e hoje está gradualmente a espalhar-se por todas as atividades económicas.

 

Todo o comércio a retalho vai sofrer uma grande mudança com esta tecnologia. A cadeia Wall Mart já a adotou. Podendo ler o conteúdo de cada carrinho de compras em tempo real enquanto o cliente passeia no supermercado é possível, por exemplo, oferecer-lhe um incentivo para compra de mais produtos, ou informação do tipo "quem comprou esse desodorizante também levou a loção de barbear Y que está ao seu lado esquerdo". Veremos como respondem a este desafio as cadeias retalhistas portuguesas.

 

Esta é mais uma das facetas da autêntica revolução digital que percorre hoje o planeta, numa grande onda que está a permitir aumentar muito a produtividade do trabalho. Como será repartido esse ganho é outra questão. É que, ao contrário do que muitos pensavam, nem todos os barcos se elevam quando sobe a maré. Muitos afundam. Só se mantém à tona quem luta por isso.

 

Economista

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

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