Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Jorge Fonseca de Almeida 02 de Junho de 2020 às 19:30

Pandemia e o disparar descontrolado da corrupção

É, pois, importante que a par do lançamento dos programas de relançamento da economia, que são vitais, o Governo apresente uma estratégia firme de combate à corrupção. Sem isso os fundos públicos e europeus serão desviados em larga escala.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...

O fenómeno da corrupção pode ser melhor entendido quando analisado no quadro da conhecida trilogia que o liga à pressão, à oportunidade e a uma justificação moral desculpabilizante.

 

Dessa perspetiva a atual pandemia fornece todos os ingredientes para um disparar descontrolado da corrupção.

 

Desde logo as empresas estão sob enorme pressão: privadas de parte, muito significativa, das suas receitas durante o período mais agudo da pandemia estão, muitas delas, em grave situação financeira ou económica. O acesso a fundos governamentais portugueses ou europeus é premente. É mesmo fundamental para que possam sobreviver. A pressão é enorme.

 

Oportunidade: para vencer a crise os Estados e as instituições internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu, etc.) estão a disponibilizar programas de recuperação que envolvem milhares de milhões de euros. Por outro lado são programas novos, como o do layoff, em que há pequena experiência de controlo dos fundos distribuídos. Nunca os fundos públicos foram tão abundantes e a sua distribuição previsível tão alargada. Como diz o ditado popular: a ocasião faz o ladrão. E a oportunidade parece ser a maior das últimas décadas.

 

As justificações já se ouvem de forma ensurdecedora: fazer tudo para salvar os postos de trabalhos, impedir o desaparecimento da empresa, evitar o colapso financeiro, aproveitar os fundos postos à disposição do país. Parece que vale tudo para atingir estes objetivos patrióticos.

 

Tudo indica que, se nada for feito, tenhamos um disparar descontrolado da fraude e da corrupção política em Portugal.

 

É, pois, importante que a par do lançamento dos programas de relançamento da economia, que são vitais, o Governo apresente uma estratégia firme de combate à corrupção. Sem isso os fundos públicos e europeus serão desviados em larga escala, como o foram no passado os da formação, e a economia portuguesa não conseguirá recuperar nem reestruturar-se.

 

Das medidas anticorrupção depende o futuro do nosso país no médio prazo, já que no curto prazo o que nos espera é, inevitavelmente, uma crise de grande dimensão em que já estamos mergulhados.

 

Economista

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias