Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 13 de julho de 2016 às 00:01

Portugal campeão e o planeamento e aproveitamento de oportunidades

Hoje celebramos a merecida vitória da seleção nacional no Euro 2016. Um feito inédito que ficará nos anais da nossa História desportiva, como o maior feito até hoje neste desporto.

Para ficar com uma recordação comprei vários jornais na segunda-feira imediatamente subsequente à vitória de domingo à noite, o jogo acabou já depois das 22 horas.

 

Nas páginas de alguns jornais, algumas, muito poucas, empresas exibiam já publicidade alusiva ao jogo. O Novo Banco, a Coca-Cola, a TagHeuer, a Meo e a Carlsberg foram as únicas a aproveitar esta excelente oportunidade de comunicação.

 

Todos os anúncios estavam concebidos de forma propositadamente ambígua para poder passar mesmo no caso de Portugal perder. Uma estratégia inteligente e de grande precaução. 

 

O Novo Banco tinha como lema "A nossa ambição fez história. Parabéns, Portugal" e era ilustrado com uma foto de Fernando Santos. A Coca-cola referia "Parabéns. Já temos um vencedor. Vamos celebrar!" num anúncio em que surgiam dois jovens adultos com umas camisolas que podem ser vagamente identificadas com as cores nacionais. A TagHeuer centra-se em Cristiano Ronaldo. A Meo sob o lema "Nação Valente. Obrigado" mostra uma fotografia de alguns jogadores portugueses abraçados como que a festejar um golo, mas com equipamento diferente do usado por Portugal na final. A Carlsberg proclama numa linha "Final" e logo por baixo "mente" com cinco canecas de cerveja. Nenhuma se refere a Portugal como vencedor ou campeão.

 

Todos os outros anunciantes não aproveitaram esta oportunidade.

 

No entanto, todos os jornais anunciaram em primeira página e com extensas reportagens a vitória de Portugal, pelo que teria sido possível um melhor desempenho dos anunciantes portugueses. Só dois, e ambos timidamente, como vimos, aproveitaram a oportunidade. E, no entanto, ela estava à vista de todos.

 

A lição é que para aproveitar as oportunidades é preciso planear. Saber quais as alternativas possíveis, aqui só havia duas, e ter antecipadamente prontas respostas para cada uma delas.

 

O aproveitamento de oportunidades não começa depois de elas surgirem, como dizem os nossos empresários "vi uma oportunidade e agi", mas sim muito antes de serem visíveis. Principia com a antecipação dos vários cenários em que o futuro se pode materializar e com a preparação para todas as eventualidades.

 

A inovação começa pelo planeamento e pela prospetiva e não, como pensam muitos empresários e responsáveis políticos portugueses, pela criatividade. Daí os erros sistemáticos nos incentivos à inovação e o gasto inútil de largos milhões de euros sem resultados concretos.

 

A criatividade pode ser posta ao serviço de uma resposta que se planeia, mas nunca ao serviço de um vazio de objetivos.

 

Economista

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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