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Jorge Fonseca de Almeida - Economista 21 de Março de 2018 às 17:12

Uma sociedade harmoniosa

Quantas empresas em Portugal inscrevem nos seus objetivos contribuir para uma sociedade harmoniosa? Quantas só se preocupam exclusivamente em beneficiar os donos e acionistas e não têm a mínima preocupação social séria? Pode o leitor ajuizar pela sua entidade patronal.

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Que contributo social significativo deu a empresa onde trabalha para a sociedade portuguesa?

 

E, no entanto, quando lemos os valores que norteiam a Fosun, o grande conglomerado chinês focado na saúde, no entretenimento e na gestão de ativos, e que em Portugal tem posição de relevo na Fidelidade, na REN, nos hospitais privados e no Millennium bcp, encontramos aí claramente assumido o compromisso de contribuir para uma sociedade harmoniosa.

 

Empresas como estas não esperam pelo Estado para fazer a sua parte. Percebem que têm obrigações e assumem-nas.

 

Naturalmente o conceito de sociedade harmoniosa, como todos os outros, é debatível, mas o certo é que nenhuma sociedade pode ser harmoniosa se pobre, por isso é preciso criar riqueza, ou se excessivamente desigual, por isso é preciso distribuí-la com justiça e equidade.

 

Sociedades focadas somente em criar riqueza perdem a sua harmonia ao gerar enormes lagos de pobreza que ao alastrar afogam a coesão e o compromisso dos cidadãos com a nação e as suas instituições.

 

Sociedades exclusivamente viradas para a distribuição da riqueza perdem a sua harmonia na medida em que hipotecam o futuro ao tudo consumir e nada investir.

 

A harmonia está naturalmente no meio-termo entre investimento produtivo e distribuição de riqueza que fixe populações e potencie um mercado interno vibrante. No equilíbrio entre produção e repartição de riqueza.

 

Que sociedades podemos considerar mais harmoniosas e com mais futuro na Europa: a Dinamarca, em que 52% do PIB é pago em salários, ou a Roménia, em que apenas 32% são distribuídos aos trabalhadores? França ou a Alemanha, em que os salários representam mais de 50% do PIB, ou a Grécia, com 33%?

 

Parece claro que países como a Dinamarca, França e a Alemanha, todos com os seus problemas e nenhum deles uma sociedade perfeita, surgem como mais equilibrados do que a Roménia ou a Grécia, onde a desigualdade é excessiva e o fator trabalho recebe uma parcela muito pequena da riqueza criada.

 

A média da União Europeia a 28 países situava a parcela do trabalho no PIB em 2017 em 47,4%. O da Zona Euro situava-se ligeiramente acima desse valor.

 

Portugal, pelo contrário, exibe um valor abaixo da média europeia e muito abaixo dos países do topo da tabela.

 

A recente atitude do Governo ao recusar um maior equilíbrio na legislação que regula as relações laborais não foi no melhor sentido para promover a harmonia na sociedade.

 

Este é o desafio das empresas públicas e privadas portuguesas: contribuir para uma sociedade harmoniosa, aumentando o investimento, o emprego e uma melhor distribuição da riqueza do país.

 

É que, a prazo, a desarmonia paga-se caro.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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