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Jorge Fonseca de Almeida 29 de Dezembro de 2020 às 18:00

Vacinas – Escolhas erradas e contrastes

Muitas escolhas governamentais são condicionadas por conjunturas internacionais e por constrangimentos externos, mas é nas decisões livres que se vê a verdadeira natureza das elites, a sua índole, os seus valores e a sua atitude perante a vida, a sociedade e os outros.

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Com atraso em relação à generalidade dos países do mundo, a União Europeia iniciou agora a vacinação. O número de vacinas disponíveis é ainda muito pequeno (menos de 0,1% da população) e por isso se levantou a questão de por onde começar. Cada país escolheu o grupo inicial das doses recebidas.

 

O Governo português optou por vacinar primeiro o Bastonário da Ordem dos Médicos e o pessoal de saúde. Nisso foi seguido pelos governos da Hungria e da Itália. A Alemanha, a França, a Espanha, a Dinamarca, a Croácia, a Áustria, a Noruega, tal como o Reino Unido, há um mês trás, e outros escolheram começar a vacinar as populações em maior risco: os idosos que vivem em lares e os doentes com alto grau de risco. Duas prioridades muito distintas reveladoras de dois graus de humanidade e solidariedade muito diferentes. Infelizmente a do nosso Governo, alinhada com a dos governos populistas da direita extremada, não foi a melhor.

  

As prioridades na vacinação estabelecidas pelo Governo continuam erradas, sendo incompreensível que no grupo de maior prioridade estejam as forças de segurança, constituídas maioritariamente por jovens cuja probabilidade de ficar seriamente doente é muito baixa, e simultaneamente se deixe de fora os mais idosos ou as pessoas com doenças respiratórias graves ou diabetes que, essas sim, correm perigo de vida se contraírem a doença.

 

Porque não se reveem estas escolhas erradas? Porque se insiste no erro? Esta simples alteração poderá salvar centenas de vidas nos primeiros seis meses de 2021.

 

Um governo, como todos nós, pode errar. Mas, como dizia Confúcio, o grande mestre chinês, "Não corrigir as nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros". E isso é particularmente importante quando estão vidas humanas em risco.

 

Fica pois o apelo a que se revejam urgentemente as prioridades de vacinação.

Economista

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