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Jorge Marrão 29 de Julho de 2020 às 20:00

A ditadura é sempre silêncio

O domínio mediático e económico do executivo governativo e dos seus acólitos permite o atropelo à democracia liberal. O governo, com a sua soberania económica, condicionará tudo e todos no próximo futuro.

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A FRASE...

 

"Ele (Passos Coelho) fizera um discurso muito crítico em relação ao Governo de Sócrates, o PS não gostou... criou-se um ambiente de grande hostilidade." 

 

Francisco Assis, Público, 26 de julho de 2020

A ANÁLISE...

 

Foi um homem de esquerda (Francisco Assis) que resgatou a memória da direita de Passos Coelho na sua entrevista ao jornal Público. A direita envergonhou-se com o martírio imposto pela troika. Acobardou-se para desanuviar a crispação que tinha sido criada pela extrema esquerda e pelo Partido Socialista. Este assustou-se com o potencial crescimento da esquerda radical. Mas, foi só isso? Não. Optou-se por ocultar os erros das políticas públicas de José Sócrates. Um novo hino político: os tribunais que decidam a política, e os banqueiros e empresários que sejam presos. É uma narrativa cínica. O caminho de um partido hegemónico, ou uma cultura ideológica dominadora, é sempre precedido de condições específicas.

 

Alguns exemplos: a falta de transparência nas nomeações para lugares críticos da administração pública e reguladores, os ataques óbvios ou subliminares dos poderes executivos aos poderes da lei e judiciais, a criação de um clima de medo, ou auto-censura, dirigido aos profissionais de media, às universidades, às instituições privadas de pensamento, aos poderes económicos e empresariais, e a todas as profissões de escrutínio, bem como à definição de uma linguagem de politicamente correto. O domínio mediático e económico do executivo governativo e dos seus acólitos permite o atropelo à democracia liberal. O governo, com a sua soberania económica, condicionará tudo e todos no próximo futuro.

 

A extrema esquerda dedicar-se-á, como o têm feito, ao condicionamento dos costumes, comportamentos e linguagem. As falhas da sociedade e do Estado exploradas sob a capa de "temos que ir até às últimas consequências e apuramento cabal da verdade", são frase vazias e inconsequentes. A lentidão desta justiça deste Estado de direito, que se tornou assim injusto, permite que a má política sobreviva. A democracia liberal, diria à esquerda e direita, é incoerente, como referia Hayek, porque se queixa da estatização da sociedade, sem se interrogarem sobre os mecanismos que a originam. O falhanço da idade do Free Money (The Economist), da Europa, do Banco Central Europeu e da dívida, terá um preço elevadíssimo. Já sabemos o que isso é. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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