Jorge Marrão
Jorge Marrão 13 de novembro de 2019 às 19:25

A fragmentação da sociedade

Temos de ir atrás de ideias ditas progressistas, vanguardistas e pós-modernas, baseadas em estudos discutíveis e “soundbytes”, para acreditar naquilo em que não podemos acreditar, ou que não nos foi provado que devíamos acreditar.

A FRASE...

"Há dinheiro que salve o planeta."

Rui Tavares, Público, 13 de novembro de 2019

 

A ANÁLISE...

As grandes narrativas com loas aos diferentes tipos de marxismo, de capitalismo, e de democracias liberais entraram em colapso, esmoreceram, ou criaram legítimas dúvidas com as crises ocorridas no final do séc. XX e início deste. Este vazio necessita de ser preenchido. A justiça social e a pressão de um novo coletivo que se organiza, não em classes, mas em grupos de identidade, quer sejam de orientação sexual, género, raça, ou de preferências científicas ainda por confirmar, estão a criar um novo totalitarismo assente em elites do politicamente correto em que ninguém se pode opor pela forma como a questão é feita: alguém pode ser contra a justiça social, contra a discriminação de uma pessoa em relação a outra, ou contra a destruição do seu planeta? Como alguém escreveu, hoje encontramos peças jornalísticas dedicadas às "estradas desenhadas por homens que matam as mulheres".

 

Quis-se matar a religião, para fazer nascer outra. Esta é difusa e sem bíblia, mas que já tem uma inquisição: a dos media do politicamente correto e a das redes sociais. Não nos damos conta de que a reparação das "injustiças", esbarrará na histórica luta entre liberdade e igualdade, e realidade e utopia. A motivação política já não é o bem-estar da sociedade na sua configuração, é a satisfação de grupos e grupelhos ancorados em "identidades" ou "correntes científicas" que, usando a teoria de Roland Coase, impõe um custo à sociedade que, eles próprios, se recusam a pagar e aceitar.

 

Temos de ir atrás de ideias ditas progressistas, vanguardistas e pós-modernas, baseadas em estudos discutíveis e "soundbytes", para acreditar naquilo em que não podemos acreditar, ou que não nos foi provado que devíamos acreditar. Quando uma universidade toma uma decisão sem ponderar os saberes que estão em disputa, e em dúvida, tornando-se conveniente, e sem uma atitude de permanente dúvida e ceticismo, lá teremos de deixar de comer carne apenas porque sim. As elites baralham assim a multidão e terão a resposta desta: os extremismos têm caminho livre para crescer.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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