Jorge Marrão
Jorge Marrão 09 de maio de 2019 às 09:30

A negação do poder e do Estado

sabemos que só a adversidade nos obriga a mudar, ou um Governo que não se negue a construir um Estado inteligente para o séc. XXI. Este Estado constitucional tornou-se bafiento e geracionalmente irresponsável.

A FRASE...

 

"Por muito que nos custe aceitar, boa parte da direita nunca deixou de ser socialista"

 

André Abrantes Amaral, Observador, 8 de maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

O país descobriu agora pela reação do PS - o PSD e CDS já sabiam por experiência própria - que a austeridade é o nosso caminho coletivo para os próximos anos. Infelizmente esta vai ser só para alguns: para os que não têm força reivindicativa como os contribuintes (comprovando a lei da Olson), porque são muitos. Os pequenos grupos de interesse - armadilhados ou não com substâncias explosivas, o sindicalismo estatal e o capitalismo de Estado e compadrio - sobrevivem sempre à falta de coragem governativa reformista.

 

O Governo não sabia como revelar a austeridade, mas usou habilmente o Prof. Mário Nogueira para tal. A narrativa da devolução de rendimentos dos professores esvaiu-se com esta posição do Governo. Mas, algumas lições devíamos retirar destes acontecimentos. A primeira: os partidos que assinaram o Memorando da troika (PS, PSD e CDS) são os únicos - os nascentes como Partido Aliança e Iniciativa Liberal não se vislumbram que sejam diferentes - que assumiram a disciplina orçamental como condição necessária de vida. A segunda: o socialismo é e sempre será um beco sem saída. O património real e o rendimento anual duma nação são as limitações da vida coletiva e individual.

 

O socialismo assume temporariamente para manter o poder que é preciso devolver rendimentos (isto é a vida e a liberdade ao cidadão, comprovando as tesas liberais sobre o Estado por portas travessas), ainda que não os tenha. Por isso, o socialismo é sempre mais original e criativo com mais um imposto, umas taxas ou um emprestimozinho apresentado sempre na comunicação social como tendo a melhor taxa de juro (parecendo que o Governo ganha sempre e os credores perdem...). A terceira: qualquer que seja o líder do PSD em exercício ou o do CDS, a comunicação social dará sempre voz mais e melhor voz aos opositores internos do momento e baralhará as mensagens oficiais. A evolução na continuidade será sempre um erro político neste país com um povo e uma história nobres: mas sabemos que só a adversidade nos obriga a mudar, ou um Governo que não se negue a construir um Estado inteligente para o séc. XXI. Este Estado constitucional tornou-se bafiento e geracionalmente irresponsável.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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