Jorge Marrão
Jorge Marrão 08 de abril de 2019 às 19:20

As famílias socialistas redistributivas

As elites (mais poderosos) e as redes de influência portuguesas, ao invés de se concentrarem na sua função reguladora e equilibrada da sociedade, dedicaram-se à concentração do seu poder e dos seus recursos em articulação com os "establishments" partidários.

A FRASE...

 

"A ideia da democracia virtuosa é ridícula, infantil e comovedora."

 

António Barreto, Público, 7 de Abril de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Já passaram 172 anos desde a publicação do Manifesto de Marx, e as sucessivas experiências de socialismos falhados da União Soviética, do Leste Europeu da cortina de ferro, e das revoluções da América Latina, em que se promovia o socialismo indo-americano como uma criação heroica. Para estes últimos, a desgraça dos povos que se sujeitaram ao socialismo já era conhecida. As árvores de esquerda de hoje têm estas raízes, mas as ramagens são mais apelativas e mais identitárias. Para os crentes do messianismo socialista, o problema do mundo é sempre o da redistribuição de riqueza. A civilização europeia - nascida na mistura do Renascimento, da Reforma Protestante, do governo parlamentar da Inglaterra, e da democracia revolucionária francesa - impôs-se ao mundo, e derrotou os socialismos, quaisquer que fossem as caras e cores.

 

O historiador Nial Ferguson no seu último livro dedicou-se a refletir sobre a suspeição de um mundo controlado pelos poderosos e redes de influência, tais como os dos banqueiros, do "establishment", do sistema, dos judeus, das maçonarias e dos illuminati. Entende que tudo o que se escreve neste termos é "rubbish", devendo haver mais atenção às redes informais de poder, e menos às estruturas formais.

 

As elites (mais poderosos) e as redes de influência portuguesas, ao invés de se concentrarem na sua função reguladora e equilibrada da sociedade, dedicaram-se à concentração do seu poder e dos seus recursos em articulação com os "establishments" partidários. Estes, para manterem o povo sereno e tranquilo, e capturá-lo eleitoralmente, promovem à exaustão o canto da sereia da ideia socialista redistributiva. O pensamento e a ação afunilaram-se somente para uma equidade e uma justiça em terra de pobres. Os resultados estão à vista: é hoje preciso uma dinastia familiar socialista no governo para tratar da redistribuição. Afinal não é a família a instituição mais estável da sociedade?

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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