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Jorge Marrão 06 de Agosto de 2020 às 09:40

As voltas que dá o mundo da política

É um novo totalitarismo democrático, em que as combinações que o PSD de Rui Rio pode fazer são as que fazem sentido para a sua oposição. As voltas que dá a política, para manter tudo como está, não têm limites nem coerência.

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A FRASE...

 
"A podridão do sistema político está a conduzir à agonia do regime."

 

Manuel Monteiro, jornal Sol, 1 de agosto de 2020

 

A ANÁLISE...

 

O estado estacionário de Adam Smith, ou a estagnação secular debatida nas universidades americanas, tem, desgraçadamente, em Portugal um dos seus melhores alunos. O pobre não sai da pobreza, o rico e o empreendedor não se podem livrar do Estado, o jornalista só sobrevive com o privilégio das fontes oficiais, o médico com os empregos do SNS, os bancos com as ajudas do Estado, as empresas com os favores ocasionais, e os universitários se se mantiverem na defesa da cultura maioritária e opressiva das tendências progressistas.

 

A evolução das pessoas na vida pública e privada depende do respeito e obediência às cartilhas dos partidos do politicamente correto, e dos que controlam a máquina estatal de geração de empregos no Estado, e o das empresas amigas do regime. A indigência europeia de Portugal é o novo normal. O regime sustenta-se com dívidas e fundos externos, e com uma sociedade civil e capitalismo débeis. Os governos defendem franjas eleitorais a expensas da degradação institucional, económica e social do país. As elites monopolizam quase tudo, através da corrupção económica e moral, para manter os seus interesses. Sentaram-se à mesa do orçamento e com a lei a protegê-los.

 

O Parlamento saído da revolução aproximava-se das ideologias clássicas do comunismo, do socialismo, da social-democracia, da democracia cristã, dos conservadores e dos liberais. Surgiram, naturalmente, no Parlamento os partidos das causas e das lamentações (BE, PAN, Verdes e Chega). Refletem outro tipo de prioridades da cidadania. O PS de Mário Soares não combinaria com as doutrinas comunistas ou bloquistas; mas, ao atual PS, tudo lhe é permitido. O PSD de Rui Rio, invocando-se hipocritamente Sá Carneiro, parece não lhe ser permitido que se aproxime dos partidos de outras causas, como as do Chega ou, o das ideias liberais, como a Iniciativa Liberal, ou o do renovado e diferente CDS. É um novo totalitarismo democrático, em que as combinações que o PSD de Rui Rio pode fazer são as que fazem sentido para a sua oposição. As voltas que dá a política, para manter tudo como está, não têm limites nem coerência.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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