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Jorge Marrão 22 de Julho de 2020 às 22:05

Bombeiros ao serviço

Os governos passaram a ser meros administradores de dívidas e de políticas sociais para não assustarem os eleitorados, e manterem controlados os conservadores e reacionários da ala esquerdista do PS, Bloco de Esquerda e PCP.

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A FRASE...

 

"O Partido Socialista e o PSD deviam promover um Governo com o melhor que existe no mercado."

 

José Miguel Júdice, 18 de Julho de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Os 20 anos (se Marcelo Rebelo de Sousa for eleito) de presidências sociais democratas não ajudaram a mudar o país. Quem ainda ajuda o país a refletir sobre os seus erros são os credores oficiais e, agora, os países frugais que nos obrigam a prestar contas sobre os dinheiros europeus. A soberania política portuguesa perdeu-se com o mar de dívida originada no consulado do PS de Sócrates. Iniciou-se um ciclo da pedinchice nacional: empréstimos externos oficiais com a troika, e agora fundos e subvenções europeias.

 

Os governos passaram a ser meros administradores de dívidas e de políticas sociais para não assustarem os eleitorados, e manterem controlados os conservadores e reacionários da ala esquerdista do PS, Bloco de Esquerda e PCP. Paradoxalmente, os dois Presidentes da República que se veem envolvidos neste ciclo infernal de baixo crescimento económico e de elevada dívida são da área social-democrata: Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. O institucionalismo de um e o afeto de outro impediram que nascessem, em Belém, as teses reformistas do país, numa linha da preservação da estabilidade constitucional do empobrecimento, com medo de enfrentarem a rua e aqueles que ganharam poder com a dívida, nomeadamente todos os grandes e pequenos poderes públicos dispersos e a iniciativa privada que só sobrevive encostada ao Estado.

 

É um miserabilismo político que se curva perante a ditadura da dívida. Não há maior estabilidade que a promovida por uma ditadura; em democracia, a estabilidade do centro coligado é a anulação do próprio conceito democrático, em que a oposição não pode expressar o seu projeto alternativo, sob pena de ser anti-patriótica. O conturbado período de Passos Coelho foi uma excrescência passageira neste paralisado regime democrático. A dívida privada destruiu um dos impérios bancários mais antigos. A pública ainda não destruiu o regime democrático, mas anestesiou-o. O país vai-se abstendo. A social democracia presidencial e, agora, a partidária de Rui Rio, como líder da oposição, não devem aceitar a austeridade socialista embrulhada nas boas intenções do investimento público e dos dinheiros europeus. Os bombeiros de serviço (PSD) têm de saber denunciar os incendiários do regime.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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