Jorge Marrão
Jorge Marrão 27 de fevereiro de 2019 às 21:00

Coletes amarelos portugueses

Se ainda acreditarem que há alguém que produz moeda (só pode ser falsa) para os seus legítimos anseios, bem podem fazer greves, com ou sem "crowdfunding", que nada lhes servirá.

A FRASE...

 

"Futuro dos professores nas mãos do Presidente ou do PSD"

 

Sónia Lapage, Público, 27 de Fevereiro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

As televisões foram ao Marquês, e às praças portuguesas, mas não encontraram coletes amarelos suficientes, mas continuam ávidos à procura da extrema direita para nos distrair do essencial.

 

Será possível que um país como Portugal - com crescimento próximo de zero por décadas, endividado como poucos, desprovido de esperança, sem oportunidades óbvias para os trabalhadores e capital, com instituições e dirigentes públicos e privados desacreditados, com os media asfixiados pelas agendas do mainstream político e económico, mas liberto para as causas fraturantes minoritárias ainda que enfeudados às alternativas radicais - não "consiga" com estrondo produzir coletes amarelos para mostrarmos ao mundo? Esconderam-se ou emigraram? Não.

 

Manifestam-se dentro do sector menos esperado: residem no setor público. Com ou sem farda, nos organismos centrais ou no interior, sentem-se injustiçados por uma falta de concretização do alívio orçamental que lhes foi prometido. Revoltam-se contra os persistentes baixos salários e progressões miseráveis. Provavelmente, pela primeira vez, percebem o que é ter uma economia privada não competitiva: como esta não suporta pagar mais impostos, e o Estado não se pode endividar, espantam-se com os "camarados" e camaradas que se tornaram insensíveis socialmente.

 

Seria avisado que os funcionários públicos se tornassem mais amigos da democracia liberal e dos mercados livres que fundaram a prosperidade do Ocidente. É desta feliz conjugação que podem vir a viver melhor. Se ainda acreditarem que há alguém que produz moeda (só pode ser falsa) para os seus legítimos anseios, bem podem fazer greves, com ou sem "crowdfunding", que nada lhes servirá. O país público não pode estar contra o privado, nem o nacional contra o europeu e vice-versa, se quisermos sair desta embrulhada geracional.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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