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Opinião
Jorge Marrão 30 de Junho de 2020 às 09:20

Distância social, económica e real

A esquerda navega a superfície da onda, cria novas ondas de discurso sobre as desigualdades e injustiças para se manter na crista da mesma.

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A FRASE...

 

"A ideia de que o pior já passou não é verdade."

 

 Edmundo Martinho, Negócios, 29 de junho de 2020 

 

A ANÁLISE...

 

As quedas abruptas do PIB, os aumentos exponenciais do desemprego e das dívidas públicas nesta pandemia, a par do crescimento ínfimo da riqueza produzida nas últimas décadas, deveriam lançar um alerta estrondoso sobre o destino coletivo. Nada disso. A sociedade está adormecida pela insistente e irrealista campanha "Vai tudo ficar bem". A ideia é infantil. Não pode ficar tudo bem. A distância social imposta é um assunto político, afigurando-se de responsabilidade, mas não o é a distância económica que está mascarada. Quanto mais máscaras, menos economia? Esta é a verdadeira irresponsabilidade dos regimes democráticos.

 

A longuíssima distância que nos separa da provável realidade social do futuro é também ofuscada. A responsabilidade da solução da crise parece um assunto de política externa com a Europa, o que é em parte verdade, mas as responsabilidades internas sobre o que fazer não são matérias de aceso debate político interno. E porquê? A esquerda navega a superfície da onda, cria novas ondas de discurso sobre as desigualdades e injustiças para se manter na crista da mesma e ocultar o que está por baixo, mas sem consequências práticas, a não ser abalar as crenças, tradições e costumes que fazem parte do caldo cultural desta Europa diversa de nações, com as suas particulares democracias liberais, e as suas distintas economias de mercado. Não encontraram o critério filosófico e político para derrubar estátuas.

 

Sabem, no entanto, que o passado não foi o que deveria ser, e têm todas as certezas sobre o que deveria ser o futuro. Neste futuro prometeico não haverá estátuas para derrubar, porque os donos da verdade histórica são omnipotentes e omniscientes. A direita perdeu o seu Presidente da República, vacila sobre o líder da oposição, outros desconfiam das novas forças políticas à direita, e os conservadores e democratas cristãos que, na construção do Portugal democrático foram apelidados de fascistas, perderam a linha de orientação ameaçados pelas ideias mais ou menos liberais, nacionalistas, de ordem no Estado e ou assuntos populares sobre a resolução de problemas concretos da comunidade. Ninguém nos fala sobre destino; falam-nos sobre caminhos que sabemos, no íntimo, não auguram bons destinos. "Carpem die". 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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