Jorge Marrão
Jorge Marrão 06 de junho de 2013 às 00:01

Economia: um problema de comunicação

Um dos principais reguladores da vida política, goste-se ou não, são os mercados financeiros externos.

A Frase...

 

"Se queimarem os dedos os investidores na dívida portuguesa não voltam." Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, Negócios on-line, 5 de Junho de 2013.

 

A análise...

 

Um dos principais reguladores da vida política, goste-se ou não, são os mercados financeiros externos. Sem estes, a política seria só desejos e promessas, e não tinha impossibilidades, mas também não haveria Estado social com a dimensão actual. No tempo da soberania do escudo, a que alguns erradamente querem voltar, as impressoras trabalhavam em prol dos juramentos infindáveis da classe política, e pagávamos com o imposto inflação os desmandos do momento político, quando estes apareciam.

Depender dos mercados externos e de autoridades monetárias independentes apenas pode melhorar a qualidade dos políticos. O pacto de conivência de favores entre os eleitos e eleitores para a construção de um Estado social quase impagável e para um modelo de transferências sociais insustentável não pode ser assim alimentado indefinidamente.

Há uma forma saudável de nos livrarmos da sua vigilância, e dos políticos poderem finalmente propalar que "disciplinámos os mercados": haver uma poupança privada interna mais elevada (consumirmos menos), a receita orçamental ser superior à despesa (superavit) e as exportações serem superiores às importações. As palavras contam: quando a direita propõe esta receita chamam-lhe austeridade e neoliberalismo; quando pela esquerda é rigor e sustentabilidade. A solução da economia talvez seja mesmo um problema de comunicação.

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