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Jorge Marrão 31 de Março de 2020 às 18:20

Estamos distraídos?

É um desperdício de tempo e energia trazer a ideologia para este combate sanitário. Nenhum primeiro-ministro é integralmente responsável pelo que se está a passar.

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A FRASE...

 

"As regras europeias para a redução da dívida pública estão, na prática, a impedir o Governo português de avançar com os apoios necessários."

Manuel Esteves, Negócios, 29 de março de 2020

A ANÁLISE...

 

Vamos ter de viver com esta incerteza sobre o que estamos a fazer. Navegamos por mares desconhecidos. O filósofo Innerarity afirmou que "o objetivo da política é conseguir que a vontade popular seja a última palavra, mas não a única, que seja tido em conta o parecer dos especialistas, mas que não nos submetamos a ele...".

 

Os estragos da pandemia sobre quem está a exercer o poder serão dolorosos: os governos num curto espaço de tempo comparar-se-ão com todos os outros. O controlo da informação e a manipulação da opinião pública serão tarefas centrais. As oposições vão aproveitar-se das fragilidades, ou não sabem o que fazer. Os governos sabem que a gestão das expectativas é determinante para o comportamento das populações. Os media são máquinas de acontecimentos e métricas diárias, e escondem o futuro. Li algures que apenas Trump, Bolsonaro, Boris Johnson e a Europa estavam a fazer tudo errado! Nós, parece que nos estamos a safar... à luz dos comentários apaixonados de alguns profissionais da comunicação.

 

É um desperdício de tempo e energia trazer a ideologia para este combate sanitário. Nenhum primeiro-ministro é integralmente responsável pelo que se está a passar. Já quanto aos efeitos económicos da pandemia devíamos estar a avaliar as políticas públicas. Há uma que é inexorável: sem a União Europeia, entraremos em conflito social e de confronto sobre o modelo de sociedade, pelo que a diplomacia é o instrumento mais crítico. Não percamos tempo com o triunfo do nacionalismo português sobre o holandês. Os países que fundaram esta Europa, e que estão na Zona Euro, representam ainda hoje 75,2% da riqueza produzida. Os alargamentos não fizeram esquecer o triângulo franco-alemão-italiano. As dívidas de Itália, Grécia, Espanha e Portugal representam 49% da UE-27, mas tão-somente 25,5% da riqueza produzida. Se Itália tivesse de reduzir a sua dívida para a média europeia, estaríamos a falar em aproximadamente 652 mil milhões, ou seja, 40,7% do seu PIB, enquanto a Alemanha e os Países Baixos apresentam um "excedente" de 780 mil milhões. Quem resolver este equilíbrio será o incontestado líder europeu. Até lá, estamos distraídos com os nossos pequenos poderes.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

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