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Jorge Marrão 11 de Maio de 2020 às 19:11

Fantasmas: Sócrates e Passos Coelho

Se não se livrarem destes fantasmas, reconhecendo onde erraram e onde tiveram discernimento, o PS e PSD estão impedidos de ver a luz ao fundo de túnel. Esta não será da cor e intensidade esperada.

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A FRASE... 

 

"Não há estigma, nem troika, mas Portugal fica fora da nova linha de apoio."

Público, 9 de Maio de 2020

 

A ANÁLISE...

 

A política portuguesa tornou-se prisioneira de dois fantasmas: Sócrates e Passos Coelho. O PS, envolvido nos três pedidos de ajuda externa da democracia, teme o 4º. Os anteriores produziram condicionalidades, isto é, medidas obrigatórias de austeridade, contenção ou de rigor, impostas pelo exterior, que o povo português não se deslembra. É notório que o receio de pedir ajuda externa, recordando o desvario de Sócrates, está a levar o Governo a cautelas extremas em entregar os dinheiros públicos e europeus às empresas e famílias, ajudado por um Estado que foi desenhado desde o antigo regime, e mantido depois da revolução, para controlar e desconfiar da sociedade civil.

 

Este não é o momento para ponderar o controlo da dívida pública. No momento de um incêndio, ninguém deve perguntar qual é a fatura da água para o apagar. O BCE fará, dentro dos limites, com que o fardo dos juros seja o mais baixo possível. Nestas circunstâncias, seria irremissível que a próxima ajuda fosse de novo requerida pelo PS. A extrema-esquerda está protegida. Não participa diretamente no Governo. O primeiro-ministro de forma inteligente vai ganhando espaço à esquerda, atendendo aos pedidos acessórios e simbólicos, bem como o próprio Presidente da República, para esvaziar a força da esquerda radical e comunista que vão ser inúteis para a reconfiguração que Portugal necessita no quadro desta recessão mundial.

 

A opinião pública é conduzida para se esconderem os problemas nacionais, usando os problemas europeus, Trump, Bolsonaro, Orbán e mais distrações. À intimação do tribunal alemão, a esquerda silenciou-se. Sem ajuda externa europeia, o suplício coletivo aproxima-se. Do outro lado do PSD, o fantasma de Passos Coelho impede uma oposição mais vigorosa. A campanha política e mediática da esquerda transformou Passos Coelho, em vez de um reformista, agente de mudança e feliz portador do anúncio da saída da troika, num radical libérrimo, quando as condições objetivas impostas impediram o seu governo de ser mais social-democrata, democrata-cristão ou liberal. E o PSD de Rui Rio tem temor desta fabricada conotação. Se não se livrarem destes fantasmas, reconhecendo onde erraram e onde tiveram discernimento, o PS e PSD estão impedidos de ver a luz ao fundo de túnel. Esta não será da cor e intensidade esperada.

 

O tamanho do túnel, todavia, vai tornar dolorosa a caminhada para todos os portugueses, sem exceção, por carência de coragem política, perante eleitores que ainda estão alienados sobre as prioridades e as dificuldades do país, intoxicados pelas ideias políticas da eterna igualdade na redistribuição do baixo rendimento. Teremos apenas dívidas públicas e privadas para distribuir geracionalmente.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

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