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Jorge Marrão 26 de Fevereiro de 2014 às 19:30

Meia mentira

A fantasia (de termos direito a quase tudo), e de o Estado a tudo acudir, não se pode realizar sem subtracção de parte significativa do trabalho (obrigações fiscais actuais e futuras), e sem competitividade. No tempo do Escudo, mascaravam-se os custos dos desvaneios com inflação e desvalorização.

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Para cumprir a plena integração no espaço de competição no Euro, vamos assistir a uma melhoria do País, e não da vida das pessoas. Paradoxalmente, é mesmo assim. Para que o consumo privado seja maior no futuro, é preciso que o de hoje se torne cada vez mais pequeno, ou menos relevante no PIB, até que consigamos os naturais reequilíbrios macroeconómicos.

Sabemos que as pessoas querem saber de si, da sua felicidade e da sua dignidade, e não da macroeconomia. Mas, está certo ou errado termos um País melhor, e as pessoas pior? Quem definiu o padrão comparativo de bem-estar destas? O ângulo de observação (como pessoas, País, Estado, Governo, e/ou as Oposições) gera-nos a resposta que mais nos convém. O problema da meia verdade será sempre a meia mentira.

Nas actuais condições, o que é bom para as pessoas e Oposição, não é bom para o País, Estado e Governo. Aqueles querem folgas, estes precisam de rigor de contas. E quando o País, Governo e Estado não quiserem ter disciplina, todos os astros estão temporariamente alinhados, e as pessoas já serão o País. Porque será?

Somos intrinsecamente liberais nos impostos ("já não aguento mais o IRS e o IVA e os descontos para a Segurança Social"), mas também profundamente estatais na despesa ("a educação, saúde, justiça devem ser asseguradas de forma gratuita e as pensões devem ser justas").

Se tivéssemos tido ditadura macroeconómica, mais respeito pelos direitos individuais, e menos direitos sociais, que defendemos na praça pública, mas que individualmente não queremos suportar, não estaríamos agora perante uma férrea repressão fiscal e financeira.

Percebemos agora como uma comunidade política (materializada num Estado constitucional) e que se entende moralmente superior à sociedade civil pode esmagar o indivíduo, alegando ainda assim a defesa das pessoas!

É natural que qualquer Governo, de um Estado obsessivo com a produção de direitos sociais desligados dos recursos das pessoas, ao primeiro sinal da melhoria das condições de financiamento do seu Estado, rejubile naturalmente: é com "money" que se cumprem as funções constitucionais e as preferências egoístas dos eleitores.

Este Estado, a continuar, impede o sonho, não nos liberta, e retira-nos salários. É preciso reinventar um outro mais liberal. O socialismo, social-democracia e democracia-cristã na globalização não podem ser iguais às que existiam antes desta florescer. Retornar à matriz original é deriva para convencer os eleitores mais distraídos. Esta crise não se resolve com umas reformazitas dos Estadão e palavras gastas programáticas.

A fantasia (de termos direito a quase tudo), e de o Estado a tudo acudir, não se pode realizar sem subtracção de parte significativa do trabalho (obrigações fiscais actuais e futuras), e sem competitividade. No tempo do Escudo, mascaravam-se os custos dos desvaneios com inflação e desvalorização. Nos tempos do Euro, o "make-up" monetário é uma impossibilidade.

Passar de um velho Estado a um Novo Estado gera uma ressaca: enquanto vamos tendo um País/Estado melhor, as pessoas mantêm-se em pior situação do que a comunidade. Há intervalos históricos em que o "Estado não somos todos nós": as pessoas não fazem parte da comunidade política, porque perderam os seus direitos de propriedade (salários e pensões) para financiarem uma redistribuição injusta, porque é excessiva.

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