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Jorge Marrão | José Maria Brandão de Brito 27 de Julho de 2010 às 11:44

Não se bate à porta da globalização: um novo contrato social alargado

O debate político, económico e social incrustado na nossa sociedade está inquinado.

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Prevalece uma luta entre as diferentes famílias políticas que se vai alimentando, a todo o custo, com os mesmos assuntos muitas vezes de duvidosa importância. Em aspectos fundamentais, parte da nossa elite dirigente, política, empresarial e sindical, à esquerda e à direita, insiste teimosamente em se manter em posições conservadoras, como se a realidade se compadecesse com os argumentos doutros tempos.

Não se aperceberam de que o mundo realmente mudou e das nossas restrições. Ao fim de 37 anos de democracia os referenciais continuam a estar nos combates do passado, em vez de projectarem e mobilizarem a nossa sociedade para as novas batalhas. As propostas e contrapropostas são debatidas com uma acrimónia surpreendente, olvidando-se o princípio básico do compromisso tão necessário para as sociedades avançarem.

Vamos mastigando um pessimismo inconsequente e paralisante: assim não vamos conseguir que o País inove como exigido pelo contexto da globalização. Não vamos poder manter o essencial do Estado social que ambicionamos. Não nos estamos a mobilizar para o sucesso futuro.

Colectivamente não conseguimos antecipar a globalização, nem as exigências que ela comporta. Não se bate à porta da globalização pedindo para entrar e participar no jogo. Como fenómeno transversal, a globalização ou nos absorve ou nos exclui; ou se está no sítio certo, no momento certo, com as credenciais adequadas ou o movimento nos ignora e, por vezes, com violência, nos atropela.

Pensamos que é importante que no debate impere mais racionalidade e mais serenidade. As escolhas devem inicialmente centrar-se na prioridade da consolidação das finanças públicas. A plena execução desta depende de um compromisso consciente duma maioria na sociedade civil e da sua promoção pelos partidos, para não a termos de realizar obrigados pelos acontecimentos. A nossa geração irá ser julgada historicamente pela capacidade de entendimento estratégica que realizarmos (ou não). Paralelamente, temos de nos concentrar no crescimento económico e social sem preconceitos, no quadro de uma sociedade onde a crispação e o confronto dos velhos paradigmas dê lugar à negociação e ao compromisso; a um novo contrato social mais adequado aos tempos que estamos a viver e à riqueza que estamos a criar.

Recusamos o País conformado com a mediocridade em que a crise externa e interna o lançou porque recusamos a inevitabilidade da irrelevância. O desafio é enorme. O debate já não pode estar centrado nas velhas alternativas: mais ou menos Estado, mais ou menos mercado, mais ou menos justiça social. Basta observar o Brasil, um país escandinavo, os EUA ou Singapura para rapidamente concluirmos que cada um escolhe os argumentos que mais se adequam aos objectivos sociais traçados, sem se preocuparem com os modelos dos séculos XIX e XX. À velocidade a que processam hoje as mudanças, não existem verdades absolutas e duradouras: confrontadas com a realidade vão evoluindo, originando novas formas de pensamento e de acção. Em todos se luta pela promoção de uma sociedade onde impere o Estado de direito e os princípios de economia de mercado como motores de crescimento e de uma melhor justiça social.

No Projecto Farol, propomos quatro temas fundamentais: promover uma educação para a globalização, estabelecer um novo contrato social, caminhar para a figura de Estado inteligente, e reconhecer a iniciativa privada como instrumento preferencial de desenvolvimento. Este é o repto que lançamos a toda a sociedade portuguesa. Muitas outras sociedades implícita ou explicitamente já o aceitaram e lançaram mãos à obra. Está preparado para aceitar e promover um simples desafio de compromisso geracional para o séc.XXI?


PORTUGAL: ENTRE
O SUCESSO E A IRRELEVÂNCIA Ainda vai a tempo?


Membros da Comissão Executiva do Projecto Farol
www.projectofarol.com




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