Jorge Marrão
Jorge Marrão 16 de maio de 2016 às 19:24

Novos absolutistas

Se alguns cidadãos têm de estender a mão ao Estado, é por este se ter apropriado (impostos e regulação, sem visão de liberdade) até à exaustão do produto do trabalho de todos nós.

A FRASE...

 

"É tão fácil ser liberal quando o Estado paga a tença."

 

Francisco Louçã, Público, 14 de Maio de 2016

 

A ANÁLISE...

 

É mais difícil ser estatista quando são os portugueses - as próximas gerações que se cuidem - a suportar as políticas públicas danosas, ineficientes e os investimentos públicos desastrosos das últimas décadas. Percebe-se assim que os novos absolutistas queiram transferir para os credores externos, não pagando a dívida, o odioso da solução evidente. 

 

Uma nova faceta do jogo político é agora encontrar contradições entre os que simpatizam com as doutrinas liberais e o pedido de ajuda que, enquanto cidadãos e instituições, solicitam ao Estado. Os investimentos públicos ruinosos são uma socialização dos prejuízos que os governos utilizam para capturar preferências eleitorais. Já temos socialização quanto baste. Assumem naturalmente que se os ganhos e perdas forem do Estado, estas estarão adequadamente distribuídas. Nada mais falacioso.

 

Se alguns cidadãos têm de estender a mão ao Estado, é por este se ter apropriado (impostos e regulação, sem visão de liberdade) até à exaustão do produto do trabalho de todos nós. A escola pública é dos privados: são estes que, com o seu trabalho (impostos), permitem que estas se financiem. Atacar a escola privada no séc. XXI em plena democracia liberal e no contexto de competição em que nos encontramos é recuarmos às discussões marxistas do séc. XIX.

 

Quando a Igreja cerceou o poder temporal, quando os nobres se opuseram aos absolutismos, quando burgueses se revoltaram com as taxas e impostos, quando os trabalhadores o fizeram contra patrões exploradores, a sociedade ficou mais livre. A história repete-se.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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