Jorge Marrão
Jorge Marrão 20 de maio de 2019 às 19:21

O Estado corruptor

A história fará o seu julgamento, porque os atores atuais têm outros assuntos com que nos entreter. Até lá vamos aproveitar a vitória do Benfica (declaração de interesses: sou benfiquista).

A FRASE...

 

"O bom português olha para isto com a satisfação interior de saber que a "irremediável desordem da Pátria" desculpa os seus pecados. Somos todos irmãos, e todos nos percebemos."  

 

Vasco Pulido Valente, Público, 18 de maio de 2019

 

A ANÁLISE...

 

As utopias e desígnios constitucionais são transformadas em realidade perante o modelo de leis produzidas e de ação governativa que incentivam ou penalizam o comportamento do próprio Estado, das empresas e das famílias para se cumprir a Constituição.

 

Não há sociedade, qualquer que seja o grau de liberdade da economia de mercado, que não tenha um modelo regulatório estatal próprio. Mas como explicamos as falências que ocorrem? Quem são os verdadeiros culpados? Os casos pontuais de falências empresariais e ou pessoais fraudulentos podem e devem ser objeto de escrutínio judicial. Todavia, quando um sistema económico e ou bancário colapsa de forma mais ou menos geral, como foi o caso português, revelado em Maio de 2011 com a chegada da troika, deveríamos aprofundar a contribuição que o Estado e a atuação privada tiveram na bancarrota criada. Os apologistas da economia de mercado privilegiarão o papel perverso que o Estado deve ter tido; os estadistas apontam o dedo à conduta dos empresários e das famílias.

 

A política e as suas instituições, para evitar o julgamento eleitoral, fogem a uma análise desapaixonada das políticas públicas e privadas, e respetivas decisões, que conduziram à falências das empresas A e ou B, ou da pessoa X ou Y. Privilegiam um julgamento popular apressado e não fundamentado sobre os eventuais "corruptos", para ocultar os "corruptores" ou desviar o debate que seria saudável: qual foi a qualidade das políticas que foram seguidas, e os acontecimentos que originaram este desaire coletiva. O resultado prático é evidente: cada fica com a sua razão preconceituosa de partida (ou foram indivíduos ligados ao Estado e ou aos privados), e nunca as ideias e as práticas políticas, ou a violência dos acontecimentos que rodearam o contexto português.

 

Não há assim responsabilidade política, mas sim malfeitores à solta. O crédito dos políticos e da política cai nas bolsas da opinião pública, e assim o sistema político vai falindo lentamente, o que é natural a seguir a fracasso de uma sociedade. A história fará o seu julgamento, porque os atores atuais têm outros assuntos com que nos entreter. Até lá vamos aproveitar a vitória do Benfica (declaração de interesses: sou benfiquista).

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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