Jorge Marrão
Jorge Marrão 23 de julho de 2019 às 19:20

O que fazer e o que se fez na direita

O espaço alternativo ao poder instalado do PS e partidos apoiantes da fórmula governativa errou no diagnóstico das condições políticas para a viragem reformista que o país precisa e nas fórmulas para ganhar as próximas eleições.

A FRASE...

 

 "O Público analisa o estado em que os partidos com assento na Assembleia da República partem para as legislativas de 6 de Outubro."

Público, 22 de Julho de 2019

 

A ANÁLISE...

O espaço alternativo ao poder instalado do PS e partidos apoiantes da fórmula governativa errou no diagnóstico das condições políticas para a viragem reformista que o país precisa e nas fórmulas para ganhar as próximas eleições. Só este arco de poder de centro e centro direita terá a coragem de modernizar o país para a competição europeia, de reduzir a dívida pública e privada de forma sustentável, de aumentar os salários por via da produtividade e da economia de mercado e de melhorar o Estado social partilhado entre responsabilidades públicas e privadas.

 

 O PREC (arização) do país continuou na Aula Magna, nas leituras que se fizeram dos acórdãos legítimos do Tribunal Constitucional ao tempo de Passos Coelho e Paulo Portas, e na pressão exercida sobre Cavaco Silva para dar posse a uma gerigonça nunca dantes experimentada. A partir do momento em que se promovia que Rui Rio não servia, porque pretendia dar mão ao PS em reformas de regime, que Cristas vacilava nos princípios, que Santana Lopes estava envelhecido, sem imaginação e a garra de outrora, que Guimarães Pinto era um jovem liberal que se iria perder numa sociedade conservadora, e na pretensa radicalização de André Ventura com o papão da extrema direita, foram lançadas as bases para a derrocada da direita social democrata, conservadora, democrata cristã e liberal. A normalidade seria uma crise no espaço dos apoiantes das políticas públicas de Sócrates que trouxeram para Portugal a troika; extraordinariamente foi no espaço alternativo da direita que a crise se instalou.

 

As diferentes sensibilidades do espaço alternativo do centro e centro direita escolheram mal o adversário: dedicaram-se a reflexões intelectuais intermináveis - ainda que se devam fazer - e ao escrutínio da capacidade e caráter dos seus líderes. Os resultados não podiam ser piores: paradoxalmente a dialética hegeliana talvez sirva para criar um espaço de direita diferente do atual. O país ficará adiado - como nas últimas décadas - enquanto à esquerda se debate quem são os verdadeiros defensores dos valores de Abril, fazendo o país esquecer que estamos na Europa e na democracia liberal e de mercado, porque os militares de 25 de Novembro com o seu general Eanes assim o determinaram. A luta continua entre os Capitães e o General.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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