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Jorge Marrão - Gestor 12 de Maio de 2021 às 20:10

Os efeitos do protetorado II

O Governo especializou-se "no consumo passivo de uma política mediaticamente encenada" (Innerarity). A oposição ver-se-á obrigada a caminhar para o populismo, porque o regime se quer popular. É a instituição democrática a ser abalada nos seus alicerces.

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A FRASE...

 

"Falta ambição para o país." 

 

Cláudia Azevedo, Negócios, 12 de maio de 2021

 

A ANÁLISE...

 

A origem da perceção de falência da democracia é resultado de, em geral, os cidadãos entenderem que os governos são incompetentes para resolverem a complexidade dos assuntos, e as oposições brandas para obrigar os governos a exercerem o poder. A democracia necessita de políticos que ela própria é incapaz de produzir. A administração e a intendência dos assuntos de Estado parecem ser um desastre permanente, sejam a dos incêndios, dos roubos, da pandemia, da dívida pública ou da gestão de planos. Acrescem, e a opinião pública excita-se com isso, os frequentes escândalos envolvendo o comportamento público e privado de atores políticos, a ininteligibilidade das decisões do poder judicial sobre os casos e as pessoas do regime que nos brindaram com uma bancarrota, a má fama das comissões de inquérito, e/ou as nomeações do Governo de puro nepotismo ou inexplicáveis à luz da mais elementar transparência.

 

Uns dirão que a responsabilidade é da classe política e dos partidos; outros que são "eles" um povo ignaro, egoísta, resignado, de brandos costumes e envelhecido que é responsável. O que têm feito os eleitores? Votam preferencialmente na continuidade do regime que nos brinda a cada 12 anos com uma intervenção externa (FMI, troika e, agora, bazuca), votam no peso crescente dos impostos e da dívida, votam na destruição da iniciativa privada, votam no compadrio político-institucional, votam no saque à Europa dos fundos, votam nos que propalam os benefícios do investimento público e demonizam o privado, votam na pobreza segura à riqueza incerta, votam no paternalismo do Estado e votam nas restrições da liberdade impostas pelo Estado, com as suas leis, regulamentos, normas e processos.

 

Preferimos a perda de liberdade, a de soberania financeira - em todas as intervenções externas estava o PS no poder -, para manter a estabilidade do PS no regime político e do seu modelo redistributivo, alargando a população de baixos rendimentos, reduzindo a dimensão da classe média, e estimulando os mais ricos a colocarem as suas poupanças fora de Portugal. O Governo especializou-se "no consumo passivo de uma política mediaticamente encenada" (Innerarity). A oposição ver-se-á obrigada a caminhar para o populismo, porque o regime se quer popular. É a instituição democrática a ser abalada nos seus alicerces.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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