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Jorge Marrão 20 de Agosto de 2020 às 13:00

País bom e país mau

Não há países bons e países maus: há políticos que nos levam a aceitar más decisões, e outros que nos levam para o bom caminho.

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A FRASE...

 

"O problema da suposta frugalidade neerlandesa é que é feita à custa dos recursos dos outros."

 

Rui Tavares, Público, 19 de Agosto de 2020

 

A ANÁLISE...

 

A ideia de uma federação ter cargas fiscais únicas e níveis de rendimentos entre Estados similares é das maiores falácias desenvolvidas pelos políticos europeus para que aceitássemos a União da coesão social perfeita. Omitiram-nos que, apesar de estar numa união, nos manteríamos com rendimentos diferentes. A federação americana é um exemplo: os níveis de rendimento entre os diversos estados, carga fiscal, taxas de desemprego ou de crescimento económicos são díspares. O governo federal bem se esforça em esbater os efeitos, mas não há união de transferências que o valha.

 

Na crise de 2008, os países dividiram-se entre os austeros e os magnânimos. As jovens democracias portuguesa, grega e espanhola embriagaram-se com as facilidades do crédito público e o privado que a UE e União Monetária nos trouxeram. Não reconhecer o erro do modelo de desenvolvimento assente em dívida externa é candidatarmo-nos a perder ainda mais soberania. Os países frugais gastam o que tributam, não satisfazendo de forma irresponsável os seus eleitorados; os políticos das mãos largas arvoraram-se em promotores do desenvolvimento social, gastando mais do que tributam, evitando prejudicar o rendimento dos seus contribuintes. É o preço do populismo estatal.

 

As taxas de juro baixas e crédito abundante induziram nas populações um efeito riqueza que se veio a revelar falso. A adoração que a esquerda estatal tem por Keynes, para que o Estado gaste o que não se tributou, não é a mesma que ele tinha sobre o socialismo. O Estado devia gastar para salvar o capitalismo. Com a estagflação, as teorias keynesianas foram revistas e contestadas. Ainda assim, reconheceu que o investimento público, despesas públicas e expansão creditícia não são a panaceia eterna para o crescimento económico sustentável.

 

Quais as razões para as esquerdas europeias do Sul quererem impostos federais? Para transferir para a federação, os problemas que criam nos Estados nacionais. Ninguém quer estar num "clube" em que todos os países são magnânimos (os endividados). Estes precisam dos frugais para sobreviver com as suas políticas desastrosas; os poupados não conseguem explicar as regras do clube aos seus eleitores. Não há países bons e países maus: há políticos que nos levam a aceitar más decisões, e outros que nos levam para o bom caminho. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com
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