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Jorge Marrão 03 de Fevereiro de 2020 às 20:30

Patologias políticas

A caixa de Pandora do “identity politics” instalou-se no Parlamento português. De quem é esta responsabilidade? Há uma esquerda que está a ir longe demais. Arrasta os moderados de esquerda.

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A FRASE...

“Sarar cicatrizes da História é uma atividade que conduzirá certamente ao desastre. Tal empreendimento é impossível, o que já é um bom argumento para não experimentar.”

António Barreto, Público, 2 de fevereiro de 2020

A ANÁLISE...

Acultura pós-moderna de uma esquerda inspirada em Foucault e Derrida levou o debate político para as políticas de identidade com a paroquial consequência portuguesa na troca de argumentos entre os deputados Joacine e André Ventura. Ambos arrastados para a tribalização da lógica do opressor e oprimido, expressa das mais variadas formas, tais como as do homem branco sobre o homem negro, do homem sobre a mulher, do homem sobre os animais, do colonizador sobre o colonizado, da Europa rica sobre os emigrantes dos países pobres, e outras tantas que serão criadas na medida necessária para atacar as instituições do capitalismo, do Estado de direito, e os valores e modo de vida do Ocidente.

Cria-se assim a moral superior de um grupo (oprimidos) sobre o outro (opressores). As instituições e as hierarquias sociais e os valores que professamos como sociedade não são perfeitos. Estão cobertos de consequências sociais de difícil solução. Fujamos, no entanto, destes novos emissários revolucionários ou autoritários de esquerda ou direita para as resolver com, por exemplo, as suas simples soluções de devoluções de pessoas ou de obras de arte. A caixa de Pandora do “identity politics” instalou-se no Parlamento português. De quem é esta responsabilidade? Há uma esquerda que está a ir longe demais. Arrasta os moderados de esquerda.

Naturalmente abre o caminho para a reação contrária. Não é um acidente o PS responder às cirúrgicas demandas do radicalismo de esquerda do BE para satisfazer os seus acólitos mais esquerdistas, e para demonstrar esquerdismo na ressaca de uma aplicação implacável do (neoliberal?) Tratado Orçamental. E não será com certeza um acaso os dirigentes à direita terem de acentuar os seus discursos baseados nos valores da tradição judaico-cristã e iniciarem uma maior luta ideológica no espaço da direita. A democracia agradece as diferenças entre as esquerdas e as direitas. Não pode é viver atormentada com a marginalidade.

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com



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