Jorge Marrão
Jorge Marrão 18 de março de 2019 às 20:31

Quem julga a política?

A esperança para os que têm fobia do poder pelo poder é fabricar "geringonçadas" europeias, nacionais, e já agora a do Parlamento britânico do Brexit, para se obter uma nova normalidade.

A FRASE...

 

"As razões para desvalorizar a questão da popularidade... Assenta no facto de Marcelo, ao contrário dos seus antecessores, poder dispensar totalmente os partidos numa plataforma de reeleição."

 

Ricardo Costa, Expresso, 12 de março de 2019

 

A ANÁLISE...

 

O país político - diga-se parlamento - quer sentar a cidadania no banco dos intermináveis inquéritos parlamentares para que o próprio regime político não possa ser alvo de um inquérito. O Presidente da República não o quer fazer, ou não pode, os partidos tradicionais temem os resultados e os deputados a sua carreira.

 

É preciso que se chegue a eleições sem responsabilidades sobre o regime e atores que geraram este impasse geracional - incluam-se também as políticas públicas europeias e as monetárias erradas do belo Euro - para que se oculte a fragilidade da sociedade portuguesa.

 

O Ministério Público insinua, revela, mas também oculta, confundido a sociedade sobre quem tem razão ou não, e os órgãos de comunicação social fazem o mesmo, destruindo a capacidade de acreditar em alguém ou em alguma instituição, e impedindo as reformas que o país requer. Não é um acidente, alguém que quer entrar no parlamento, propor que isto "chega".

 

O regime ao operar numa relação com a economia e sociedade assente numa tríade de interesses complexa entre o sistema político desenvolvimentista social, sem atender à produtividade do país, um sistema bancário expansionista com baixo escrutínio sobre a viabilidade dos projetos, que parecia estar sempre assegurada, e os empresários sentados no orçamento das políticas keynesianas e de regimes concorrenciais débeis - teima em falecer, porque isso significaria a reconfiguração quase absoluta do regime, dos seus poderes e atores.

 

O coveiro do Antigo Regime foi uma revolução de capitães; o deste, numa época democrática, deverá passar por uma revolução partidária, a menos que acreditemos no autoritarismo externo, porque o interno dificilmente verá a luz do dia.

 

A esperança para os que têm fobia do poder pelo poder é fabricar "geringonçadas" europeias, nacionais, e já agora a do Parlamento britânico do Brexit, para se obter uma nova normalidade. Estamos a descobrir histórias e as estórias que antecedem a história que aí vem para fazer nascer uma nova vida. É preciso paciência.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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