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Jorge Marrão 09 de Julho de 2020 às 09:20

União nacional em democracia?

A crise está a produzir uma união nacional política democrática, deixando a agitação, debates e berraria para os extremos, sem ninguém nos explicar o que se passa.

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A FRASE...

 

"Verdade é que não percebemos o que se passa. Há poucas pessoas que nos expliquem com honestidade e clareza."

 

António Barreto, Público, 5 de julho de 2020

 

A ANÁLISE...

 

No discurso de 23 de novembro de 1932 de tomada de posse da União Nacional, em que Salazar dirige conselhos aos monárquicos, aos católicos, aos operários, aos antigos partidos e aos próprios amigos da situação, António Ferro questiona-o sobre o desagrado e irritação a quem foram dirigidos: - E sendo assim com que força conta apoiar-se? A resposta é simples: - Não creia... descontentes, se os houve por mau entendimento, só na extrema-direita e na extrema-esquerda... mas entre as duas está a Nação, a maior parte da nação... Foi por causa dos interesses da nação que a revolução de 28 de maio foi feita contra os partidos, segundo Salazar.

 

O alinhamento institucional entre Presidente de República, primeiro-ministro, e a timorata e, muitas vezes, silenciosa oposição, dita institucional, do centro político que navega no velho arco de governação do PS ao CDS reproduz, em parte, a ideia dos interesses da nação superiores ao dos partidos. Este alinhamento representa a ideia que não há alternativas de políticas, mas sim convergências obrigatórias. Aliás, Rui Rio usou recentemente o argumento dos interesses do país para justificar a alteração do calendário de debates com o PM, quando podia apenas afirmar que era o seu entendimento partidário que o levou a decidir dessa forma.

 

A crise está a produzir uma união nacional política democrática, deixando a agitação, debates e berraria para os extremos, sem ninguém nos explicar o que se passa. A dificuldade desta renovada união nacional democrática é não ter um cariz reformista, ser diferenciadora dos partidos do centro, levando a nação a confundir os seus projetos, que deviam ser alternativos. Estão a criar o caminho do desalento dos eleitores com duas estranhas bifurcações: "São todos iguais" e "se assim é mais vale manter o mau conhecido que o bom desconhecido". Enquanto os partidos da alternativa ao partido do Estado (PS), neste caso PSD e CDS, não entenderem a sua função libertadora na democracia, na economia e na sociedade, e assumirem que são as suas ideias que criam os seus novos eleitorados, como o fizeram a Iniciativa Liberal, o Chega e o Bloco de Esquerda, preparemo-nos para mais uma década de união nacional de parcos resultados económicos e sociais.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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