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Uma hora pequenina

O desfecho da votação desta terça-feira, apesar de anunciado, ainda causa perplexidade e estupor. Agora que devíamos começar a fazer as nossas inadiáveis opções, vem aí a troika que nos leva de volta à outra.

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Vai ser assim porque para quem para lá caminha o que conta são mesmo só estes dias. O que interessa é mudar o "paradigma". Vale tudo, até tomar por bom o fim dos governos sem maioria, depois de anos a constatar que tínhamos a solução constitucional equilibrada entre representatividade e eficácia.

Para nós, cidadãos, é diferente. O plano do dr. Costa: sobreviver uns meses com o esforço acumulado dos últimos anos e depois livrar-se da companhia não é mesmo nada seguro, tudo aponta - o dr. Centeno que fugiu com o Excel bem o sabe - para o nosso sacrifício no altar desta soberba.

Apesar de o PC estar mais contrariado do que o peru do Natal, apesar de a UDP estar quase a desistir do Bloco e apesar dos almoços, sótãos e vãos de escada do PS, António Costa não tem alternativa e como está, além disso, refém mediático do rebuliço pueril da líder do Bloco, empurra-nos para um martírio muito próximo daquele que a Grécia ainda está a passar diante dos nossos olhos.

É difícil imaginar coligação mais negativa. Três acordos distintos e nenhum orçamento garantido…

Como explica Jerónimo de Sousa - o mais honesto de tudo isto - o acordo deles serve só para correr com os "outros" e ninguém no PC desistiu de acabar com o Tratado Orçamental, a união monetária e o resto que o dr. Costa garante como o alfa e o ómega da governação. Vão misturar, portanto, água e azeite pela razão singelamente explicada por Sousa Tavares: depois do que disseram " era uma barraca" voltar atrás…

Dessa caldeirada que aí vem, contudo, até agora só fomos conhecendo novidades pela altanaria da camarada Catarina. São todas boas… A prosperidade chegou por decreto.

E lá vão ameaçando compensar esta nova despesa taxando o capital que não sabem onde está e as fortunas que não existem. Vamos acabar, como de costume, a aumentar impostos aos que trabalham. É chamar-lhes ricos e dar cabo do que sobra da classe média … É chamar redistribuição à miséria que vai espantar os últimos que ainda contribuem para manter um módico de sobrevivência ao Estado social.

Quanto a coligação ganhou, a piadinha da noite, para aliviar o embaraço da esquerda, era que o voto dos portugueses era uma espécie de síndrome de Estocolmo. A diferença é que, entretidos em reuniões, não percebem que agora é que não sobra simpatia pelos raptores.

Depois do que já sabemos, colocar em cima da mesa um disparate como prometer o fim da austeridade é ignorar o caminho das reformas que faltam e fantasiar um inimigo que não existe.

Há muito por fazer, é verdade. Na aflição dos últimos anos também a direita pouco mais fez do que ir-nos ao bolso em vez das reformas que precisávamos e que não eram necessariamente as que tinha prometido. Teve a desculpa da aflição que encontrou à chegada. E a dificuldade de lidar com uma crise sem precedentes que implica novas escolhas que ainda não soube articular.

Pior mesmo é, contudo, repetir o que a história testou e rejeitou. Foi a escolha do PS. Resta colocar, perante a inevitabilidade do Governo por esta coligação que não conheceu sufrágio, uma pergunta ao futuro Presidente da República: em que momento e em que condições, na antecâmara do próximo resgate, vamos ser chamados a votar outra vez?

Advogado
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