José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 11 de setembro de 2017 às 19:20

Bolha no imobiliário?

De acordo com o INE, os preços do imobiliário em Portugal estão a crescer 8%. Com as taxas de juro tão baixas começa a surgir a preocupação: estaremos perante a formação de uma bolha especulativa? Não me parece.

A FRASE...

 

"O Banco de Portugal e Bruxelas já alertaram. Uma bolha imobiliária poderá fazer tremer toda a economia do país."

Diário de Notícias online, 10 de junho 2017

 

A ANÁLISE...

 

Se a causa da rápida apreciação do património imobiliário português fosse a explosão do endividamento fomentado pelo baixíssimo nível de taxas de juro, seria preocupante. Mas como o volume de crédito à habitação continua a contrair, esse não é o caso. A explicação para a expansão dos preços imobiliários radica numa multiplicidade de fatores, a maior parte deles estruturais.

 

A profunda depressão do setor da construção residencial na última década restringiu fortemente a expansão da oferta. Com efeito, o número de edifícios concluídos terá caído de 44 mil em 2007 para 12 mil em 2017 (valor do primeiro trimestre anualizado). Essa circunstância deixou o mercado imobiliário muito sensível a qualquer surto de procura, o que acabou por acontecer a partir de 2013, quando três coisas aconteceram. A primeira foi o início do fim da brutal crise económica e financeira em Portugal, o que reduziu o grau de pânico entre os residentes e os tornou mais atreitos a investimentos de maior monta, como a aquisição de imóveis. A segunda foi Portugal ter "entrado na moda" entre vários grupos de nacionalidades, algo decorrente de medidas, como os vistos gold ou benefícios fiscais, mas também da constatação das óbvias vantagens de habitar num país com o clima, a segurança, a qualidade de vida e… o baixo custo do imobiliário residencial que Portugal oferece. A terceira foi a rápida proliferação do alojamento local destinado aos turistas que passaram a chegar em catadupa a Portugal.

 

Foi este surto de procura, num contexto de parca expansão de oferta, que motivou a recente valorização imobiliária e não o frenesim especulativo que marca a formação de bolhas.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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