José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 08 de agosto de 2018 às 18:25

O sonho de Trump 

Trump sabe que pela dinâmica atual a China se aproxima cada vez mais dos EUA em todos os domínios e que para inverter esta tendência é preciso capital: económico, financeiro e geopolítico.

A FRASE...

 

"Make America great again."

 

Donald J. Trump, Twitter, (quase) todos os dias

 

A ANÁLISE...

 

O sonho de Trump é travar o declínio da posição hegemónica dos EUA no mundo ou, pelo menos, impedir que esse estatuto seja conquistado pela China.

 

Trump sabe que pela dinâmica atual a China se aproxima cada vez mais dos EUA em todos os domínios e que para inverter esta tendência é preciso capital: económico, financeiro e geopolítico. À luz deste desafio - e não da justeza dos seus objetivos - a estratégia de Trump, apesar do seu estilo peculiar, parece consistente e, quiçá, acertada.

 

Na vertente económica a ideia é simples: reindustrializar a economia, tornando-a mais competitiva através do corte de impostos, da desregulação da atividade e de uma política comercial mais agressiva.

 

No plano financeiro, a ideia é tragar recursos do resto do mundo para financiar a perenidade da Pax Americana, o que está a ocorrer via influxo de capital gerado pela combinação de estímulos orçamentais com subidas das taxas de juro da Fed. A concomitante apreciação do dólar traz como bónus reduzir o custo de financiamento da dívida pública dos EUA e limitar a capacidade da China em adquirir ativos estratégicos no estrangeiro.

 

Na dimensão geopolítica Trump sabe que o poderio militar ímpar dos EUA lhe confere uma substancial vantagem negocial. Para a manter, Trump tem de garantir superioridade militar, mas também prevenir a constituição de uma aliança euro-asiática Europa-Rússia-China antagónica à América. Daí a relação ambígua (plena de avanços e recuos) de Trump com Putin e os líderes europeus, a sua maior proximidade ao Japão e o inesperado abraço a Pyongyang.

 

Mas tudo isto são variações ao tema principal: a disputa pela hegemonia mundial vai-se decidir na arena tecnológica - na era dos robôs e da IA o trunfo populacional vale pouco. Nesse sentido, a ação política de Trump, incluindo as gincanas "twíticas", mais parece uma cortina de fumo dedicada a ofuscar a sua intenção em lutar com a China pela supremacia científica e tecnológica exclusiva dos EUA. Será assim? E sendo, terá sucesso?

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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