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José M. Brandão de Brito 21 de Maio de 2018 às 20:04

Tempestade perfeita em Itália

Itália é um dos principais pontos de entrada dos imigrantes ilegais e refugiados do Médio Oriente. A sua economia está estagnada há duas décadas e foi a que menos cresceu na área do euro.

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A FRASE...

 

"Não há solução possível para isto [situação de Itália]. (…) Isto vai levar à destruição da Europa. Também trará o AfD ao poder [na Alemanha]."

 

Hans Werner-Sinn, The Daily Telegraph, 16 de maio de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Por estes dias parece que todos os países têm alguma razão de queixa da Europa. Uns sofrem do efeito desestabilizador dos fluxos imigratórios. Outros queixam-se da incapacidade de modelar as respetivas economias ao euro. Muitos nos países contribuintes líquidos para o orçamento comunitário questionam a justeza das políticas europeias. Os Estados-membros mais obedientes à disciplina orçamental sentem-se prejudicados pelo laxismo financeiro dos mais gastadores. Os países mais endividados queixam-se do insuportável peso da dívida imposto pelos seus parceiros. Todos os Estados-membros se encaixam numa destas reivindicações. Itália encaixa-se em todas.

 

Itália é um dos principais pontos de entrada dos imigrantes ilegais e refugiados do Médio Oriente. A sua economia está estagnada há duas décadas e foi a que menos cresceu na área do euro, tendo sido ultrapassada por Espanha no rendimento per capita. A população italiana até aos 45 anos não se lembra ao que sabe crescimento económico ou aumentos reais de salários. Apesar do pobre desempenho macroeconómico, Itália é contribuinte líquido para o orçamento comunitário. Itália é empacotada por muita imprensa europeia entre os países financeiramente irresponsáveis, quando na verdade é dos mais cumpridores, sempre com excedentes orçamentais primários, mesmo durante os anos da crise. Ou seja, a sua dívida pública (acima de 130% do PIB) só não desce devido à elevadíssima fatura dos juros e à anemia do seu aparelho produtivo.

 

Não admira que, para uma grande parte da população italiana, pertencer à UE se resuma a pagar uma fatura (austeridade) por um serviço de que não usufruíram (o euro). Daí que a coligação de Governo Lega-M5S em formação se prepara para se auto-excluir da política de imigração de Bruxelas, para torcer as regras de disciplina orçamental e para exigir uma qualquer forma de mitigação do peso da sua dívida pública. Com que consequências? Em alguns quadrantes da Alemanha já se reclama a exclusão de Itália da área do euro.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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