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Votar útil

Isto está assim. A coligação de direita, animada pelas sondagens, anda num corrupio pelo país a dissertar sobre uma vitória possível, mas na verdade quer dizer maioria absoluta ou nada.

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Porque sem ela, e basta faltar um deputado, não tem maneira de ser governo. António Costa já disse, e muito bem, que não viabiliza um governo minoritário Passos/Portas. Houve quem ficasse chocado. Não admira. O mundo está cheio de gente que fala muito mas não pensa. Imaginem que dizia sim, que era bonzinho e viabilizava a continuação da destruição do país. Morria ele e o seu partido nesse mesmo instante.

 

O Partido Socialista, por seu lado, anda aflito para conseguir ter mais votos do que a direita. É normal. As sondagens lançam a confusão e na esquerda a dúvida faz parte da vida. Mas nem precisa. Desde que a coligação não tenha maioria absoluta António Costa será sempre o próximo primeiro-ministro. Tanto mais que Passos Coelho afirmou que, ao contrário do seu adversário, permitirá a formação do governo de Costa. Ainda que a experiência recomende prudência. É que Passos Coelho raramente faz aquilo que diz.

 

Na extrema-esquerda a questão é outra. As sondagens promovem o voto útil no PS e é preciso evitar isso a todo o custo. Mas nem é necessário um grande esforço. PC e Bloco odeiam mais o PS do que a direita. Aliás, preferem sempre esta no poder. Dá-lhes alento, razão de ser e muita gritaria, já que não têm outra maneira de fazer política. Servem o protesto insípido, mas não o que realmente conta na vida das pessoas. PC e Bloco fazem parte da esquerda passadista, derrotada nas suas principais premissas, pela história e pela evolução social, tecnológica, cultural e económica do mundo.

 

O resto, da gente por vezes simpática que campanha pelas ruas em agremiações de amigos, esforça-se por conseguir alguma atenção. Lembram por vezes aqueles adolescentes que fazem disparates só para os pais olharem para eles. Outros são simplesmente patéticos. Há de tudo e também naturalmente boas ideias. O problema é como concretizá-las. O espaço entre ter uma boa ideia e ser capaz de a por em prática determina o sucesso ou insucesso de tanta coisa, desde a ciência ou a arte até ao chamado empreendedorismo. Pessoalmente gosto do PAN e do Livre. Votaria facilmente em qualquer deles noutro contexto. Mas nestas eleições, a menos que o Livre consiga concentrar votos em Lisboa e eleger um ou dois deputados, tudo o resto é desperdício. Como lágrimas na chuva, citando a bela imagem do filme Blade Runner.

 

A verdadeira disputa nestas eleições é pois a de saber se o PS tem mais votos do que a coligação e qual a margem. O resto é literatura e nem sempre da boa. Se tiver menos votos ou mesmo uma pequena vantagem tudo vai ser mais difícil. Os media, e tanto comentador que por aí anda, tratarão de infernizar a vida a Costa. Mesmo que vença terá títulos de derrotado. A voragem dos media depressa apagará as falsas sondagens e tudo o que tem sido dito e escrito sobre a garantida vitória da coligação, para se dedicar por inteiro ao tiro ao Costa, esmiuçando problemas, empolando dificuldades, enfim dando o maior destaque a tudo o que há de negativo num governo minoritário. Como se isto não bastasse teremos também uma extrema-esquerda radiante. Desde logo porque irá reivindicar a derrota da direita, incluindo a do PS. No dia seguinte mesmo que tenham perdido votos e deputados serão os grandes vencedores da jornada. É sempre assim e esta gente nunca desilude. Mas não o farão pela possibilidade de se criar em Portugal um governo de esquerda, ou políticas de esquerda, como não se cansam de repetir sem chegar a vias de facto, mas porque desde a primeira hora se irão dedicar à matemática calculando a melhor altura para se aliarem à direita e deitarem abaixo o governo do PS.

 

Enfim, apesar de todas as vicissitudes atuais e previsíveis, a escolha nestas eleições é simples. Quem quer continuidade vota na coligação. Quem quer mudança tem duas hipóteses. O voto inútil no PC e Bloco ou o voto útil, o único que pode de facto fazer a diferença, no PS. Ou como diria Sherlock Holmes: elementar, meu caro Watson.

 

Artista Plástico

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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