Luís Bettencourt Moniz
Luís Bettencourt Moniz 06 de abril de 2016 às 21:20

No olho do furacão dos dados 

Cada ano que passa, os dados digitais duplicam. Em cada ano, os dados que ficam por analisar aumentam. Todos os dias temos de decidir baseados em factos, em informação que provém de dados. Analisar, prever e optimizar.

São estes pressupostos que colocam os sistemas analíticos na ordem do dia das organizações.

 

Os dados são a nova revolução na gestão. Não tê-los é uma desvantagem competitiva. Tê-los também pode ser. Paradoxo? Não. O estudo publicado no início de Março pelo MIT Sloan Management Review sobre data & analytics mostra que depois da fase de deslumbramento com os sistemas analíticos a percepção de ganhos competitivos tem vindo a decrescer desde 2015, apesar do optimismo dos gestores.

 

Então o que está a suceder? A adopção de tecnologias e processos disruptivos cria turbulência. Estamos a aproximar-nos do olho do furacão, onde nada será como dantes. O processo de decisão vai mudar e está a mudar. A decisão vai ser baseada em factos, analítica, mas misturada com a intuição e a experiência. Os juízos e as crenças prévias deixarão de fazer sentido. Serão abordadas como meras hipóteses de trabalho e validadas pelos dados e pela experiência. Parece simples, mas o impacto será tremendo na cultura empresarial. A decisão, símbolo do poder, será precedida de validações múltiplas a diferentes níveis. O poder disseminar-se-á entre os gestores, os analistas e os cientistas de dados. A responsabilidade também. Emergirão novos líderes com capacidades ecléticas, holísticas e sobretudo analíticas.

 

Os atrasos das vantagens da analítica provêm também da falta de articulação da estratégia e dos recursos. Temos mais olhos do que barriga. Queremos o mundo e não temos tecnologia, nem processos e muito menos pessoas. Só agora se está a formar uma nova geração de cientistas de dados. Queremos o mundo e não temos as pontes para fazer a ligação dos silos de informação dentro e fora da organização. Construí-las demora tempo - inexorável na erosão das expectativas. Ligar os dados para que façam sentido é uma tarefa hercúlea, mas possível.

 

Queremos o mundo e não temos mente aberta para colher novas abordagens, novos métodos de análise, novas ideias. O fluxo de dados não pára. Com a IoT (Internet of Things) mais dados virão. Mais olhos do furacão. Temos de nos distanciar para analisar. Maior ângulo de visão para inovar. Mesmo que os erros surjam, porque como escreveu o filósofo Wittgenstein, citado pelo estudo: "Se as pessoas não fizerem coisas idiotas, nada inteligente será feito."

 

Nota: O autor não aderiu por vontade própria ao convencionalismo do recente acordo ortográfico.

 

Responsável de Marketing no SAS Portugal 
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